Vejo por aí gente investindo na paixão por uma coisa para compensar a ausência da paixão por outra. A experiência me mostra que, toda vez que faço isso, o máximo que consigo é me enganar por um certo tempo, até descobrir de novo que nenhum tipo de paixão é substituível e que todos os tipos são necessários a um viver pleno.
Trabalhar com paixão é tudo de bom. A gente não vê as horas passarem e não esmorece quando se depara com uma dificuldade. Até chefe mal-humorado, dá para superar.
Paixão por um clube de futebol. Desta, dificilmente, um homem escapa. Algumas mulheres também vestem a camisa de seu time do coração e se juntam à multidão na torcida insana.
Viajar é outra coisa que pode ser apaixonante. Conhecer pessoas e lugares novos. Aventurar-se no desconhecido, provar comidas exóticas, registrar todos esses momentos para lembrar mais tarde são coisas impagáveis – embora, com dinheiro, viajar fique muito mais fácil.
Paixão por algum tipo de comida, paixão por vinhos, paixão por carros, paixão por música, paixão por cinema, paixão por fotografia, paixão por literatura, paixão por coleções – de figurinhas, selos, moedas, miniaturas. Não há como negar, há muito pelo que se apaixonar.
Cada uma dessas paixões ocupa um espaço em nossos corações e mentes – algumas mais do que outras. É o caso, por exemplo, do trabalho na vida de um homem. O terapeuta David Deida diz que o foco masculino é seu propósito, propósito este que estaria ligado ao trabalho ou a uma missão espiritual. Enquanto que o foco feminino estaria muito mais direcionado à relação e à família. Isso não significa, no entanto, que nós, homens, não precisemos de uma relação ou de uma família. Significa apenas que o valor que atribuímos a essas áreas em nossa vida é diferente. Pode pesar menos, mas não pode faltar.
Quando, sendo homens ou mulheres, nos jogamos com todas as nossas forças no trabalho, podemos estar completamente apaixonados pelo que estamos fazendo, mas sem a paixão por um outro alguém, uma hora nos descobrimos vazios. Somos seres sociais por natureza. Buscamos a relação como parte de nosso modo de viver humano.
Paixão por coisa alguma substitui a paixão por outra pessoa. Não vivemos bem sem ela. No máximo, sobrevivemos, levando a vida com outras paixões que, mesmo sendo tantas e boas, parece que nunca são o bastante. Porque cada paixão tem o seu lugar, e a paixão arrebatadora, incontrolável, desmedida por outro ser humano, pode demorar uma eternidade, mas, sem aviso ou procura, de repente, irrompe para cobrar e ocupar o seu espaço.
Encarar o vazio existencial pode realmente não ser fácil, mas e viver no vazio existencial, é fácil? A única forma de deixar de viver no vazio existencial é encará-lo. E a dor real de encará-lo costuma ser bem menor do que a dor imaginada.
Sem duvida , um vazio nao é mole nao, é preciso muita uniao hoje em dia, caso contrario nao sei se alguem suporta.