Por experiência própria, eu diria que não. A maioria das pessoas por quem já me senti atraído, ou tem algo parecido comigo ou algo que eu não tenho, mas gostaria de ter. Em outras palavras, pessoas com quem pude identificar algum tipo de afinidade, que é o grau de semelhança e relação entre duas coisas e é também a coincidência de gostos ou de sentimentos.
Ela gosta de cinema, eu só penso em ver televisão.
Ela quer fazer algo na rua agora, eu nem sonho em sair de casa.
Ela quer filhos, eu odeio crianças.Ela trabalha de dia, eu sou guarda noturno.
Dá para ter uma relação com alguém nessas condições? É óbvio que não. Então, por que será que, vez ou outra, vemos duas pessoas completamente diferentes que resolvem ficar juntas?
Será que o amor é mesmo cego?
Tem gente que acredita nisso.
Eu acredito que as pessoas, consciente ou inconscientemente, fazem suas escolhas – todas as suas escolhas. Portanto, se elas vivem um amor impossível, é porque, de alguma maneira, elas querem ou precisam viver este amor – querem sofrer; colocaram na cabeça que precisam ficar com alguém, quem quer que seja; precisam, de repente, sair da zona de conforto vivendo uma situação onde elas não controlam; enfim, as razões podem ser as mais variáveis possíveis.
Só que oposto não é o mesmo que diferente. Usamos a oposição para falar sobre algo que é contrário, adverso. Diferente já é uma palavra muito mais rica em significado. Além dos óbvios “o que não é igual”, “diverso”, diferente também pode ser utilizado para caracterizar algo que é “inexato”. E se há algo inexato na vida são as relações entre as pessoas, que, justamente por serem inexatas ou imperfeitas, jamais serão capazes de estabelecer uma relação entre iguais.
Pirou o cabeção? Pois é, é para isso mesmo que estamos aqui!
Aliás, a palavra afinidade também é utilizada na química, para definir a tendência combinatória entre moléculas heterogêneas.
Muito interessante, pena que tão resumido. Será que não podemos nos alongar no tema?
Eu, por exemplo, acabo de terminar um namoro em que me encontrava em tal situação. Erámos de mundos intensamente diferentes, ou melhor, opostos. Mas acredito que havia formas de conciliar. O problema é que nem tudo nesta vida é como queremos. Existiam tantos outros fatores, meu anseio por liberdade (ao mesmo tempo que gostava de estar ao lado dela), meus planos profissionais indo de oncontro com uma vida não compatíveis. Enfim, fui incapaz de aceitar essa outra pessoa da forma como ela era. Fico me perguntando se era realmente interessante continuar um relacionamento tão difícil de se manter. Verdade seja dita, estou sofrendo, agora que terminamos, creio que seja apenas falta ou medo de ficar sozinho. Quem saberá?