Quando chegamos tarde demais…

terça-feira, 06 novembro 2007, 04:12 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Conheço pessoas que, logo de cara, já revelam histórias de sua intimidade, como se contassem o enredo de um filme. Falam de sua vida tão abertamente que parecem mesmo falar da vida de outra pessoa.

Quando me deparo com alguém assim, fico entre a inveja e a incredulidade – "ela nem me conhece e já vai se abrindo desse jeito!" É que eu pertenço à outra turma, ao grupo dos que demoram para trazer a intimidade à tona. Só que, pelo menos eu, quando a trago, parece que ela emerge com força máxima. É como se a intimidade ficasse represada um tempo enorme, até chegar bem pertinho de arrebentar a represa e…bem, aí é um Deus nos acuda! Desembesto a falar sem parar, para a desgraça de meu interlocutor. Mas se faço isso – explico -, é porque confio no outro, de verdade.

Mas qual será o tempo certo, a medida correta entre conhecer alguém e se abrir?

Adoraria ter esta resposta, assim, provavelmente, ficaria rico ensinando a todo o mundo o que fazer para ser feliz em um relacionamento. Primeiro, claro, eu mesmo teria que aprender, porque se há alguma coisa que reprisei ao longo de minha vida é esse filme: chegar tarde demais. Pois é, para ganhar confiança, preciso de um tempo, e esse tempo nem sempre foi meu aliado. Oportunidades de ouro parecem ter escapado de meus dedos. Amores não se concretizaram porque simplesmente cheguei tarde demais…

Acontece que expressar abertamente o que sentimos não é – ou não deveria ser – um ato banal. Desnudar-se dessa maneira exige um ambiente minimamente seguro.

Para complicar a nossa vida, segurança é um conceito totalmente relativo. Algumas pessoas precisam de mais tempo, outras precisam de menos. E é aí que mora o perigo, pois quando uma pessoa que precisa de mais tempo encontra outra que precisa de menos, pode ser tarde demais para as duas! Esse descompasso faz parte do conceito de falta de sintonia. Eu curto rock e você música clássica. Não há concerto que consiga agradar aos dois! Cada gênero musical tem seu proprio ritmo.

Por isso, na próxima vez que você sentir que andou titubeando por aí em busca de mais segurança para abrir seu coração e ficou com a sensação de ter perdido o amor da sua vida, não se recrimine. Se o outro não te esperou, é porque o tempo dele é diferente do seu, e não há como viver um grande amor com cada um vivendo em seu próprio tempo.

Você só não deu de cara ainda com alguém que seja governado pelo mesmo relógio do que o seu. E alguma coisa me diz que, com tanta gente no mundo, não há como evitar que encontros dessa natureza aconteçam em nossa vida. Basta estar atento ao seu próprio movimento interno, porque se você estiver consciente de seu tempo, saberá certamente reconhecer o mesmo tempo sendo vivido pelo outro.

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