Você já viveu um dia que se inicia com o café manchando a gravata, seguido por um trânsito caótico que resultou no seu atraso àquela reunião mensal com seu chefe, motivo pelo qual você recebeu uma enrabada na frente de toda a galera? Ah! E depois de 4 longas horas de uma reunião absolutamente enfadonha, você ainda ficou sem almoço e sem Internet? Seja bem-vindo ao mundo dos com-motivo-para-ser-psicóticos!
Olha só o que o Wikipedia fala sobre isso: "0 Transtorno Psicótico Breve pode ter um quadro clínico muito parecido com a Esquizofrenia ou com o Transtorno Esquizofreniforme, apresentando delírios, alucinações, linguagem ou comportamento desorganizado ou com o Transtorno Delirante. Entretanto esses sintomas deverão estar presentes por um curto espaço de tempo e persistir no mínimo por um dia, e no máximo por 1 mês, melhorando completamente dentro desse período."
Pois bem, você está sofrendo de um TPB e já chega em casa bufando e com aquele olhar William Foster de assustar criancinha e dá de cara com sua companheira, que está com um semblante tão ameaçador quanto o seu.
Alternativa A: você passa batido por ela e vai direto para o banheiro tomar uma ducha fria.
Alternativa B: você respira fundo, afrouxa um pouco os joelhos, deixa a coluna ereta, mentaliza imagens positivas e, após alguns segundos, abre um sorriso.
Alternativa C: você dá marcha a ré e volta para a rua para descontar sua fúria no primeiro que aparecer.
Alternativa D: você para na frente dela e pergunta o que ela está encarando.
Parece incrível, mas, na maior parte das vezes, é uma alternativa semelhante a D que acabamos escolhendo. E aí o estrago é inevitável. Descontamos nossa fúria no outro e, nesses tempos onde pessoas desestressadas parecem pertencer a uma espécie em extinção, o outro faz o mesmo com a gente. Resultado: partimos pára a guerra. E, na guerra, você sabe, vale tudo! Nos armamos do baú da memória para disparar bombas de efeito moral, como "você sempre faz isso!" ou "lembra aquela vez…" ou ainda "você age assim porque não me ama de verdade!"
Pois é, não temos as armas americanas, mas contamos com nosso próprio poderoso arsenal. Palavras como "sempre" e "nunca" são letais como uma metralhadora soviética. Expressões que remetam ao passado ou questionem o sentimento do outro funcionam como artilharia pesada. E como a maioria de nós não recebeu treinamento apropriado, as baixas costumam ser enormes. Baixas dos dois lados, como na guerra. E quem perde com isso é o relacionamento, ameaçado por uma guerra particular. Isso mesmo: a guerra travada por cada parte do relacionamento não está, em princípio, ligada ao relacionamento. O que é que sua companheira ou seu companheiro tem a ver com o chefe dele ou dela? Absolutamente nada! Só que – lá vou eu de novo repetir essa ladainha! – nossa imperfeição nos impede de enxergar o óbvio e aí, como na guerra, miramos nosso alvo e nada parece nos afastar desse objetivo (auto)destrutivo.
"…esses sintomas deverão estar presentes por um curto espaço de tempo e persistir no mínimo por um dia, e no máximo por 1 mês.." Vamos e venhamos, esse é o tipo de frase que não nos ajuda muito, né? Que relacionamento sobrevive ou sobreviveria a um mês de fúria?
Por isso, está na hora de você começar a olhar as outras alternativas e fazer novas escolhas. Não quero ser estraga-prazeres, mas como o filme "Um dia de fúria" já data de 1993, o nosso amigo raivoso tem um fim, obviamente, trágico. Mais uma razão para que você aprenda como se desarmar quando sentir que uma TPB se aproxima.