Será que você se lembra de como costumava se comunicar com sua mãe quando ainda não sabia usar as palavras? É claro que não! E eu acrescentaria: ainda bem que não lembra! Já imaginou se recordar de todas as caretas e tipos de choros e “pitis” diferentes que você fazia para conseguir o que queria? Esses eram os mecanismos disponíveis e, dependendo da resposta que você obtinha, você descobria se eles funcionavam ou não. Em outras palavras, eles eram escolhidos por meio do processo de validação. Se chorar para conseguir comida, funciona, chorar é bom. Se encher os pulmões de ar e gritar bem alto faz sua mãe se interessar pela sua cólica, maravilha! Se balançar a cabeça negativamente quando você está empanturrado de leite também funciona, parabéns, você acaba de aprender a falar não através desse gesto universal.
No entanto, do que é imprescindível para a vida, caminhamos lentamente para outros interesses…
Chorar também ajuda a ganhar presentes? Oba! Ser um menino obediente e estudioso conquista o carinho dos seus pais? Não??? Então, teste o comportamento oposto! Não importa o que você é de fato. O que importa mesmo é o que funciona e o que não funciona para você ser validado, reconhecido, aceito, amado!
Enfim, o processo de validação vai se modificando ao longo da vida e pode se tornar uma pedra terrível em nosso sapato, porque na origem da palavra validar está o verbo “legitimar-se”. Logo, ao dependermos da validação do outro, estamos dizendo que só nos legitimamos por meio dele. E aí, meu amigo e minha amiga, se o outro for bonzinho, maravilha! E se não for???
Você precisa que seu chefe diga que você é um bom funcionário para se sentir competente?
Você precisa que seu companheiro ou companheira diga “eu te amo” todos os dias para se sentir merecedor de amor?
Você precisa que o mundo expresse o quão importante você é para que você perceba a diferença que você faz no mundo?
Dito assim, dessa maneira direta, parece até que nenhum de nós vive nesse jogo, né? Só que ele está em praticamente todos os momentos de nosso dia, e a sua consciência é o primeiro passo para não depender tanto assim dele. Muitas vezes, o feedback será útil para você refletir sobre as possíveis razões pelas quais as pessoas o elogiam ou o criticam, mas isso não significa que você precise dar a elas o dom da verdade. Elas são tão humanas e imperfeitas quanto você e, portanto, também cometem erros de julgamento. Só que elas não o ou a conhecem tão bem quanto você, o que, apenas usando a lei da probabilidade, significa que o seu próprio julgamento tem mais chance de estar correto.
Você pode até continuar recebendo elogios – quem não gosta de um elogio? -, só que pode ser o primeiro a fazer isso por você. Assim, quando, de repente, alguém resolver validar alguma coisa sua, você poderá dizer: “Concordo plenamente!”