Se fosse possível encontrar alguém igual a você, como você imagina que seria esta relação? Como você faria para conseguir o que precisa se vocês dois precisariam das mesmas coisas? Pois é, fica fácil concluir que uma relação entre iguais estaria fadada ao fracasso. A relação só se completa quando um tem o que o outro precisa. Claro que se fôssemos seres completos e perfeitos, essa premissa não seria verdade, mas você conhece alguém que se enquadre nesse modelo?
Se, portanto, conviver com o diferente é o único caminho para um relacionamento feliz, por que isso, às vezes, parece um inferno? Por que, ao invés da sensação de completude, nesses momentos nos sentimos pequenos e mesquinhos?
Se você parar para pensar, talvez perceba que o que está acontecendo é que você está com dificuldade de aprender. Ou você não quer ou você não consegue ver o aprendizado que o outro tem a lhe ensinar. Primeiro, porque o papel de professor-aluno não é explícito – e, se fosse, talvez a rejeição ao aprendizado poderia ser ainda maior! Segundo, porque quem está ensinando, necessariamente, não é melhor do que quem está na posição de aprendiz. São dois “quase” iguais no que se refere ao estágio de imperfeição, o que significa dizer que o que se tem a ensinar também pode estar incorreto. E aí o resultado pode ser uma tremenda confusão.
O caminho para aprender com o outro não é, portanto, nem o de aceitar o ensinamento como verdade universal nem o de recusá-lo indistintamente. É preciso estar atento para sentir o que acontece dentro da gente quando algo diferente bate à porta da nossa consciência. Isso porque as diferenças que o outro traz podem tanto complementar uma lacuna que não temos como confrontar uma crença que pode muito bem ser uma crença errônea. Eis a riqueza potencial de qualquer relacionamento.
Só que aprender com o outro requer esse exercício permanente de auto-checagem. Mesmo porque, nesse processo de reflexão interna, não aprendemos só o que e como precisamos aprender, mas aprendemos, principalmente, a identificar as barreiras que, um dia, nós mesmos erguemos como tentativa de nos proteger do hostil meio externo e que, agora, quando os bichos fantasmas se foram, podem ser continuamente derrubadas para que a nossa essência possa, aos poucos, ir se encontrando com a essência do outro.