“Ela não gosta mais de mim…”

quinta-feira, 13 dezembro 2007, 18:07 | | 2 comentários
Postado por Fábio Betti 

Relaxe e goze, diria a ministra e sexóloga Marta Suplicy. Só faltou acrescentar “quando o estupro é inevitável”, para explicitar o tom politicamente incorreto da expressão. Quando se leva um pontapé no traseiro, o desespero não irá trazer qualquer alívio.

Aposto que você também conhece muita gente adepta do “levanta, sacode a poeira e dá volta por cima”. Só que há um pequeno problema nessa história.

Quando se perde algo importante, o normal seria se sentir triste, o que significa dizer que viver o luto é ou, pelo menos, deveria ser encarado, como algo perfeitamente natural. Quem não vive o luto, acaba não conseguindo enterrar seus mortos. E mortos, quando não são devidamente enterrados, transformam-se, como os filmes de terror costumam mostrar em detalhes, em zumbis, ou seja, em fantasmas. E fantasmas do tipo chatos, que, ao invés de vagar pelo mundo a esmo, ficam empacando as nossas vidas, nos assombrando com seus dedos apontados para nossa cara: “a culpa é sua”, “você é um bosta”, “seu destino é a solidão”. Vá de retro, satanás!

Se sua forma de enterrar mortos for se isolar em um canto, é isso o que você deve fazer: isole-se e viva intensamente sua solidão.

Você prefere chorar e arrancar os cabelos? Ótimo! As lágrimas serão, certamente, repostas e os cabelos, excetuando os que já foram perdidos para a calvície, costumam voltar a nascer.

Qualquer que seja o jeito que você tem para viver o luto, é só isso que você deve – e pode! – fazer quando ela parar de gostar de você. Isso, claro, se você ainda gostar dela, porque, para alguns, levar um fora pode até ser um alívio. Pois é, tem gente que prefere que o outro tome as decisões, digamos, mais difíceis em seu lugar.

Mas esse não é o seu caso. Ultimamente, temos falado muito dela, a sonhada, a idolatrada, essa tal “mulher da sua vida”. E foi ela, esta ingrata com sangue de barata, que lhe deu um belo pé na bunda e, com isso, desmoronou o castelinho onde você guardava seu coração. Ficou tudo em frangalhos: o castelo, seu coração, você. Nada mais natural, portanto, que esparramar-se pelo chão, sentir toda a dor da rejeição, do abandono, encarar o medo da solidão.

E depois, bem, até a música símbolo da fossa aponta a saída: “Sei que você entendeu / Sei também que não vai se importar / Se meu mundo caiu / Eu que aprenda a levantar.”

É isso aí: bola pra frente, porque a fila tem que andar e, atrás, sempre vem mais gente. É só deixar passar…

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