Crianças x Pais. Quem ganha no dia-a-dia?

terça-feira, 18 dezembro 2007, 10:29 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Outro dia, fui comer um lanche na padaria e, quando me dirigia ao caixa, deparei-me com uma criança de uns 4 ou 5 anos “peitando” sua mãe de forma ameaçadora. A criança pleiteava – mais certo seria dizer “exigia” – que lhe fosse comprado um desses “candies” com jeitão de brinquedo. A mãe negava calmamente o pedido, enquanto a criança crescia em sua posição, já ensaiando os primeiros gritos e chiliques..

Fiquei ali, observando a cena, e a reação da mãe me chamou a atenção. Ela explicava para a criança, sem aparentar muita segurança, os motivos pelos quais ela não seria atendida. Bastou, no entanto, mais um gritinho para a mãe, visivelmente constrangida, mudar seu discurso do sermão “você tem que aprender que não pode ter tudo o que quer” para o mais ameno “tà bom, mas é só desta vez…”
 
O que essa mãe fez é o que a maioria de nós, pais e mães, costuma fazer: ela cedeu à chantagem do filho.

As chantagens infantis mais comuns são, como na cena da padaria, do tipo “escândalo”, pois a criança sabe, de algum modo, que a mãe ou o pai vai acabar cedendo pela vergonha passada em público; ou a chantagem do tipo “ninguém me ama” – esta, já mais sofisticada, na medida em que trabalha a culpa, o que a torna muito eficaz nesses tempos onde ambos os pais trabalham fora e/ou no caso de pais separados. E muitas crianças usam essas táticas de maneira intercalada, na tentativa de enganar melhor os adultos.

Qualquer que seja a tática escolhida, o importante é ela conseguir o que deseja. E o pai ou a mãe que aceita a chantagem confirma para a criança que ela está certa: sim, sua estratégia funciona, afinal, você conseguiu atingir o resultado que queria. Fazendo isso, ajuda a perpetuar a trapaça que, não surpreendentemente, será empregada no futuro, quando a criança já for, digamos, bem grandinha.

Mas por que os pais, mesmo sabendo da armadilha, costumam ser tão facilmente ludibriados? Será que, nessas horas, eles estão realmente lidando com seus filhos ou, na verdade, se vêem a si mesmos ali projetados e, assim, procuram compensar suas frustrações sendo “generosos” com os pequenos chantagistas?

O mecanismo lhe parece familiar?

Se você tem filhos, aposto que já foi vítima desse jogo alguma vez. Mas será que, além de vítima, você também atua como protagonista, manipulando outras pessoas para satisfazer seus desejos, como costumava fazer nos tempos de criança?

Em todo o caso, é melhor pensar sério sobre isso, pois, em um próximo “piti”, você pode acabar encontrando um adulto que já não caia mais nesse joguinho, estragando a brincadeira. O resultado será, portanto, o contrário do que você esperava: além de não conseguir o que queria, irá fazer um show para uma platéia vazia.

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