Amor idealizado, amor frustrado

sexta-feira, 19 outubro 2012, 20:54 | Tags: , , , | 11 comentários
Postado por Clarissa Porciuncula 

Sabe qual é a melhor maneira de se frustrar profundamente com o amor? É, é sim idealizando-o. Quando meninas-moças, traçamos em nossas mentes diversas formas de amor que queremos vivenciar e tipos de príncipes encantados que queremos conhecer. Acreditamos que o que nos contam os livros e filmes pode muito bem ser vivido. Aquele amor ardente e apaixonado correspondido, aquele primeiro encontro que nos faz tremer as pernas, aquele beijo roubado que nos tira o ar. Na verdade, eles até existem sim e algumas mulheres já tiveram o privilégio – e que privilégio!- de experienciar. Momentos que uma mulher jamais esquece. Justamente! Não esquece por quê? Porque é tão raro que fica guardado na memória, na parte de “melhores momentos” ou “momentos inesquecíveis”. E esse momento acaba rápido, porque se durasse muito tempo, perderia o encanto. Então, fica aquela sensação boa e cheia de prazer na memória. A felicidade é sim feita das boas sensações que armazenamos nas lembranças e fazem parte de nós.

Não que não devamos idealizar o amor. Claro que sim, claro que idealizamos, sonhamos e até construímos relações fantasiosas que nos impulsionam e nos ajudam muito. Puro e sadio romantismo. Então, qual é o problema?

Simples: A realidade não é um ideal. Ela é dinâmica e as pessoas reais não se enquadram em nossos sonhos, porque são sonhos e individuais. A questão é entendermos as diferenças entre a fantasia e a realidade. Homens são de carne e osso. Mulheres também. Acreditar e esperar que as coisas só aconteçam como imaginamos nos torna pessoas mais frustradas, extremamente ansiosas e pior, chatas. A decepção acontece em nossas vidas o tempo todo e serve para que aprendamos que a vida segue e que com essa experiência podemos nos tornar melhores e capazes de flexibilizar as relações. Tecer pré-conceitos sobre como as relações e as pessoas devem ser é receita certa para o fracasso e a solidão.

Conheço mulheres que idealizaram tanto seus pretensos parceiros que não conseguem mais se relacionar. No menor deslize deles, já está tudo acabado. “Não me respeita, não me ama, não presta!” Complicado. Além de ser egoísta no amor, só atentando aos seus próprios desejos (afinal, ela é perfeita?) não consegue conceber que o outro tem sentimentos que não se enquadram na fantasia dela, mas que não quer dizer que não seja uma pessoa legal, com seus próprios ideais não realizados.

O que acalma o coração não é o amor perfeito, já que este não existe, mas sim o sentimento sincero, aquele que entende que o outro é como nós, cheio de defeitos e boas intenções. A cumplicidade nas relações amorosas existe justamente porque um entende (ou não), mas respeita os defeitos do outro. Respeitar e aceitar os defeitos é aceitarmo-nos como somos; de carne e osso.

11 comentários para “Amor idealizado, amor frustrado”

  • Brigitte disse:

    Ceder, ceder, aceitar, …prá quê? é muita submissão, subserviência, acordos..por uma idealização de um relacionamento(pouco se ganha, tem que dar, parece ideologia cristã..). Acho pouco , muito pouco!
    Brigitte

  • Clarissa disse:

    Oi, Brigitte. Creio que a idéia não seja de subserviência ou submissão. Concordo plenamente com vc que isso não nos leva a nada mesmo. Só a uma relação sem sentimentos verdadeiros e vazia. O ceder e aceitar aqui é na mesma medida em que o outro cede e nos aceita também. Uma troca. Penso que só assim criamos uma relação. O que acha? Muito obrigada por seu comentário.
    Abraço
    Clarissa

  • Ana Lucia disse:

    Ja conversamos tanto, sobre isso acredito sim, numa relacao de troca e nao de submissao, acho que nos mulheres somos educadas mais para sonhar do que realizar, entao cabe a cada uma procurar sua realidade e coloca-la em pratica.

  • Ana Paula disse:

    Se não existisse idealização, nada no mundo seria aperfeiçoado. Se possuo em mim o valor para equiparar um parceiro com qualidades minimamente parecidas, por qual motivo tenho eu que deixar de ser princesa para nadar na lama com um sapo? Questão de escolha.

  • Clarissa disse:

    Oi Ana Paula. Penso que a idealização e o sonho nos impulsiona à perfeição ou pelo menos à satisfação pessoal sim, como voce diz e acho que voce está certa: Nunca deixar de ser princesa ou nadar na lama com um sapo! A questão é escolher com visão realista e não de conto de fadas onde a bruxa má sempre morre no final e todos vivem felizes para sempre. Obrigada pelo seu interessante comentário. Abraço. Clarissa

  • José Carlos disse:

    O ser humano é um ser em constante evolução e involução. Nada é pronto. O problema da insatisfação e da quantidade de divórcio dos dias atuais é exatamente a inversão de valores sociais e a incapacidade das pessoas em ter paciência e se manterem sozinhas e disponíveis para encontrar quem realmente se aproxima ao máximo da sua idealização. É preciso ter autocrítica na idealização, para saber o que de fato é informação intuitiva, resultado das experiências passadas, e o que é puro exagero em um mundo de pessoas tão diversas. É preciso ter bom senso, mas principalmente, crer em seus sonhos e em si mesmo.

  • simone disse:

    vivo um vício sem cura sem ajuda solidão a dois e a mortevivi frustrado brigando chorando jq fiz tudo que se imaginar faria também tudo para romper as corentes. e difícil de explica madrugada está amor me tirou o brilho a força sou fantasma do que era

  • Clarissa disse:

    Olá,José Carlos. Muito pertinentes as suas colocações. ” É preciso ter bom senso, mas principalmente, crer em seus sonhos e em si mesmo.” É verdade, se cremos em nós mesmos e nos respeitarmos, o respeito e a aceitação pelo próximo já fica bastante facilitada.
    Um abraço e ótimo 2015!

  • Clarissa disse:

    Oi Simone.
    Quando depositamos (projetamos) no outro nossas expectativas de vida, de amor, de amizade, etc, esse outro, obviamente, nunca as corresponde pois tais expectativas são nossas e não dele. O resultado pode ser esse, um esvaziamento interior cheio de dor, mágoa e sofrimento à espera de que esse outro resolva nossos mais profundos anseios. Esse vício pode ter cura sim. A força está em você e não nesse outro. Cuide-se e resgate seus sonhos, aproprie-se deles, pois são seus!

    Um abraço, força e paz para 2015!

  • Angela disse:

    Eu conheci um menino há 4 anos atrás. Nos conhecemos quando eu ainda estava magoada de uma crise, ele me ajudou bastante e me apaixonei por ele. Nunca tinha nos visto antes, só conversávamos pela internet. Esperei 3 anos para nos encontrarmos e depois disso ele simplesmente me largou! Eu sei que idealizei um amor e hoje sofro bastante por isso. Idealizei porque ainda, mesmo depois disso, procuro justificativas para ele e assim eu poder ir correndo me humilhar para ele me querer de volta. Eu idealizei porque pensei que nunca encontraria alguém como ele, não encontraria ninguém melhor e não conseguira viver sem sua companhia. Hoje, passado 2 anos, vejo que nosso “relacionamento” foi construído por palavras. Ele disse tudo o que eu sonhei em escutar, mas nunca fez, na prática alguma coisa que me demostrasse o amor. Conclusão: Fiquei neurótica, stalkeava ele todos os segundos, queria saber com quem ia, para onde ia… Eu fazia isso sem ele perceber. Depois de um longo tempo, consegui me libertar disso e esse amor idealizado acabou se tornando o meu maior pesadelo. Eu estive em um mundo paralelo por anos e quando voltei para a realidade, me deparei com uma pessoa que nem eu mesmo conhecia.

  • Clarissa disse:

    Nossa, Angela! Muito contundente seu depoimento. Ilustra bem o que o texto diz. Esse relacionamento foi construído virtualmente, onde cada um sonha seu próprio sonho. Muito obrigada e toda a sorte pra você. Ótimo 2015 com novos amores reais.
    Um abraço
    Clarissa

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