No ano passado, um grande amigo passou por uma profunda crise em seu casamento. Foram quase 3 meses em dúvida sobre o que fazer: separar ou não separar? Um dia, meio cansado de ouvi-lo indeciso, disparei: se você não se decidir logo, é bem capaz que ela decida por você. Em outras palavras, se você não escolher o seu futuro, ela poderá fazer isso por você.
Essa deve ser a pior coisa para dizer para alguém, especialmente, se a pessoa estiver no meio de um dilema. Dilema é um problema que oferece duas soluções, só que nenhuma delas é, de verdade, a solução que você gostaria. E qual é a solução que você gostaria? A que você não perdesse nada, é claro!
Só que, atrás de toda escolha, vem sempre uma renúncia. Meu amigo poderia escolher se separar e partir para a gandaia, mas teria que renunciar a um feliz relacionamento de 20 anos com uma mulher super especial. Ou, na outra ponta, permanecer no casamento, mas renunciar às tentações do mundo lá fora. Não tem jeito: toda escolha oferece, de um lado, o ganho e, do outro, a perda.
A arte do bem escolher é pender mais a balança para o ganho.
Seria tão bom se a gente pudesse testar a alternativa antes de bater o martelo, né? As lojas de carro inventaram o test drive. Por que não estender a tática a todas as escolhas do cotidiano? O problema é que, mesmo os test drives automobilísticos limitam a experiência no tempo e no espaço, o que significa que, se a lei de Murphy for aplicada, a probabilidade de ocorrer algum problema durante o teste passa a ser inversamente proporcional a partir do momento em que você começa a dirigir o carro na condição de proprietário. E o risco aumenta exponencialmente após o término do período de garantia.
A condicionante “se” é o principal combustível dos indecisos e é um inimigo cruel para os que escolhem o que parece ser o caminho errado. “E se eu tivesse casado com a outra?” Bem, quem garante que ela não teria se tornado ainda mais ranzinza que sua primeira escolha? Não há qualquer garantia que sim ou que não. E este é o principal problema de escolher. Mesmo usando raciocínio lógico, intuição, experiências passadas, escolher é tatear no escuro.
Ainda assim, escolher é o único caminho possível para tomar as rédeas de sua vida. Aliás, o raciocínio é simples: você é a pessoa que mais lhe conhece e, portanto, a mais indicada para fazer escolhas por você. E se, apesar de tudo isso, você não quiser se responsabilizar por possíveis erros, ainda pode escolher, como meu amigo, que outros escolham por você. Mas não vá depois querer responsabilizar o outro por eventuais escolhas infelizes. Quando colocamos nossa vida na mão de outra pessoa, agimos como o passageiro de um avião, a quem só cabe rezar para que o piloto saiba o que está fazendo.