Por mais Mulheres na liderança

segunda-feira, 25 novembro 2013, 16:33 | Tags: , , , , , , , | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Mulher com braco literalmente de ferro“Empresas com maior proporção de mulheres enfrentam melhor as turbulências do mercado.” (Le Monde, 2008). “Um número significativo de gestoras no topo das organizações propicia melhores resultados em aspectos como inovação, accountability e rentabilidade.” (McKinsey, 2007). Ao me deparar com essas frases numa pesquisa sobre liderança feminina que acaba de cair em minhas mãos, me pergunto o que ainda está faltando para termos mais mulheres na liderança das organizações e, por meio das qualidades femininas, começarmos a construir um mundo mais harmônico, colaborativo e amoroso para todos?

No Brasil, a cada 4 cargos da alta administração, apenas 1 é ocupado por mulheres. De cada 100 empresas, apenas 3 tem CEO mulheres. A Austrália, país que lidera essa lista, registra 30% dos cargos de CEO nas mãos de mulheres. O Brasil é o 38o. país do ranking, junto com Botsuana – isso mesmo, Botsuana – e bem distante da Argentina – isso mesmo, Argentina -, que está na 4a. posição, com 23% de CEO mulheres. Ainda na linha do “faz-me rir”, de acordo com dados de 2011 do IDG (Índice de Desigualdade de Gênero) da ONU, que mede a desigualdade entre homens e mulheres no que se refere a mercado de trabalho, saúde reprodutiva e empoderamento, ocupamos um vergonhoso 80o. lugar de um total de 187 países.

Nem tudo está perdido no país da Copa… Segundo dados do Banco Mundial, a participação das mulheres que têm entre 15 e 64 anos de idade no mercado de trabalho saltou de 39% em 1990 para 60% em 2007. O IBGE aponta que em 2003 as mulheres respondiam por 44,4% da população economicamente ativa, número que já era de 46,1% em 2011.

Esses dados constam da pesquisa intitulada “Liderança Feminina – Mulheres no Mercado de Trabalho”, realizada em setembro de 2012 pelo Grupo DMRH, HSM Management e Next View. Algumas informações sobre o perfil das 2.288 participantes me chamaram a atenção, como, por exemplo, o fato de 99% terem formação superior completa, sendo 79% de pós-graduadas; 54% não terem filhos; e a imensa maioria, 78%, trabalharem acima de 8,5 horas diárias. Aliás, 70% do tempo diário dessas mulheres, não surpreendentemente, é reservado à carreira ou a assuntos ligados a ela, como estudos e autoconhecimento, enquanto 20% ficam para a vida familiar e apenas 10% são destinados para a vida pessoal.

Mas o melhor ainda está por vir. Quando perguntadas quais são as características femininas que mais agregam ao trabalho, a resposta mais votada, com 15% das escolhas, foi “fazer várias atividades ao mesmo tempo”, enquanto a qualidade da “sensibilidade” foi apontada por apenas 9% das mulheres. Em outras palavras, o que as empresas querem mesmo das mulheres é basicamente que elas façam mais que os homens, só que ganhando menos. No Brasil, a renda das mulheres representa 70% da média dos homens – e isso, mesmo tendo em conta que as mulheres possuem 1 ano e meio a mais de estudos. Não é de se estranhar, portanto, que 54% das mulheres responderam que precisam incorporar características masculinas como agressividade e racionalidade para conquistar a posição em que estão. No entanto, ao abdicarem de suas qualidades naturais, elas também abrem mão de seu maior diferencial e só ajudam a entregar mais do que já se desgastou e perdeu valor com o tempo. Ou alguém ainda acredita que iremos dar um jeito no mundo na base da porrada? Precisamos, isto sim, de mais Mulheres – e Mulheres de verdade, Mulheres com M maiúsculo, sim, senhor!

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