Enterrando seus mortos: teoria e prática

domingo, 17 fevereiro 2008, 18:50 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Não tem segredo nem mistério: começar uma vida nova requer que nos despedimos da vida antiga. Não dá para correr o risco de engatar um novo relacionamento relembrando a sua “ex”. Poucas coisas são tão desagradáveis quanto sair com alguém que fica o tempo todo lembrando de outra pessoa. E chamar a nova namorada pelo nome da outra então? É um convite para levar, com o perdão pela expressão de baixo nível, um pé na bunda.

Aprenda uma coisa: para que a fila ande sem tumultos, você terá que enterrar o corpo da outra. Mais do que isso até: terá que se livrar de qualquer pista que faça sua memória levá-lo até ela outra vez. Porque se ela morreu mesmo – cuidado, pois alguns relacionamentos são como os gatos: têm sete vidas! -, ou você curte uma necrofilia ou terá que reconstruir sua vida sem a defunta. Depois de um luto com direito a ataques de raiva ou surtos de esperança, se foi ela quem o abandonou, ou uma repentina crise de arrependimento pela decisão de se separar dela, você terá que percorrer um longo caminho até se livrar de todos os vestígios desse relacionamento.

Para começar, não fique guardando fotos, cartinhas, e-mails, bilhetinhos ou qualquer outra coisa que fazia o maior sentido de ser guardado quando você estava com ela – para lembrar o primeiro beijo, a primeira transa ou outro marco de seu relacionamento – e que, agora que ela não existe mais, só servem para ressuscitar a falecida. Inclua nesse pacote a ser descartado presentes como roupas, relógios e objetos de decoração. Aproveite para se dar presentes e doe os que ela deu para você para alguém que, certamente, saberá dar melhor uso a eles do que você.

Pare de freqüentar os lugares em que vocês iam juntos. A “música de vocês”, o “filme de vocês” ou qualquer outro “algo de vocês” deve ser evitado.

E o principal: quando se sentir pronto para outra, nunca, mas nunca mesmo faça comparações. Além de uma grande estupidez, comparar presente e passado é injusto, na medida em que se compara algo que está acontecendo com algo que não existe mais, a não ser como uma lembrança, ou seja, que já passou e está, portanto, mortinho da silva. Se a atração pela comparação for irresistível, é provável que você ainda não tenha enterrado direito a defunta e virou vítima de uma assombração. O melhor a fazer é uma boa DR com a fantasminha, antes que ela perca o controle e apareça para puxar seu pé quando estiver dormindo com a outra.

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