Antes de mais nada, é bom entender que inferno astral não é um termo técnico astrológico. Tanto é que você não irá encontrar qualquer referência a essa expressão em nenhum livro sério sobre astrologia. O inferno astral deve ter sido inventado por alguém que, prenunciando que seu aniversário seria um tremendo mico, ficou tão revoltado ou deprimido que começou a atrair um monte de coisa ruim. Tanto é que a expressão, já devidamente popularizada, é empregada para designar o mês e o período do signo que antecedem o nosso aniversário.
Teoricamente, quando nosso aniversário se aproxima, estamos mais sensíveis, afinal, estaremos ficando mais velhos em breve! E nem todo mundo aceita numa boa a idéia de que ficar velho não é tão ruim assim. Eu, por exemplo, quando tinha uns 10 anos, invejava os garotos de 14 que saiam com minhas amigas. Demorou uma eternidade para chegar aos 14 e, quando isso aconteceu, as gatinhas que eu paquerava já estavam saindo com os garotos de 18, e aí, bem, eu olhava para as meninas de 10 anos e lembrava de minha irmã, na época, uma pentelha profissional, como toda irmã mais nova. Resultado: as meninas mais novas não me atraiam e as de minha idade continuavam se interessando pelos mesmos garotos que concorriam comigo desde meus 10 anos. A vida é injusta, pensava eu.
Essa dura realidade me mostrou que, por mais que eu envelhecesse, nunca iria alcançar os garotos mais velhos. E, quando percebi isso, já era tarde demais: os anos haviam se passado e as meninas viraram esposas, mães, enfim, transformaram-se em senhoras. E eu? Bem, eu ainda sou mais jovem que os caras que eu invejava, só que isso já não faz mais a menor diferença.
O que quero dizer com tudo isso? Quero dizer que estou nem aí para esse negócio de inferno astral. Sempre quis envelhecer e, agora, que estou embalado nesse processo, vou entrar em crise só porque estou prestes a soprar velinhas??? Dei um duro danado pra chegar até aqui e vou aguardar esse mês que me separa de meu aniversário cheio de esperança de que terei uma festa legal, rodeada de amigos e presentes. E decidi que esse ano farei diferente, ao invés de soprar velinhas, vou acendê-las: 42, uma a uma.