Homens ou mulheres: quem realmente tem o maior apetite pela fruta?

terça-feira, 26 fevereiro 2008, 05:52 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Se há uma vantagem em ser quarentão é poder dizer, na maior tranquilidade, que transou sem camisinha numa época onde o maior perigo do ato inseguro era uma gravidez indesejada. Ninguém corria risco sério de morrer por esse deslize. Na época, a DST mais temida era a gonorréia, curada facilmente com antibióticos.

Em compensação, as meninas que a gente mais cobiçava não davam de jeito algum. Ainda se cultuava a virgindade, o que obrigou muitos de nós a iniciar sua vida sexual com prostitutas. Havia as meninas de família e as outras. Dizia-se que havia as mulheres para casar e as mulheres para transar, como se as “casaidoras” não tivessem desejos ou não servissem para o sexo, e vice-versa.

Claro que tudo isso gerou um tremendo descompasso. Aos meninos, mais do que permitido, era estimulado o início na vida sexual, fora, claro, todo o treinamento individual. Quando um de nós encontrava, por sorte, uma menina que também estivesse a fim de provar da fruta, havia uma grande chance de ser a primeira vez dela, e o que era para ser uma brincadeira gostosa acabava se transformando em um ato de enorme responsabilidade. Não que nós não quiséssemos assumir responsabilidade por nossos atos, mas, para um jovem rapaz, o que importava mesmo era a brincadeira.

Aliás, devia ser sempre assim, o sexo: uma grande brincadeira. Brincadeira de esconde-esconde, pega-pega… Quem inventou a gravidade no sexo não devia gostar muito dele. Não estou estimulando que as pessoas saiam por aí, transando com qualquer um e sem nenhuma responsabilidade. Nos dias de hoje, fazer isso não tem nada a ver com brincadeira, é pura burrice.

Só que, se você for olhar direito, fazemos sexo para procriar – seu objetivo original – muito raramente. O que queremos mesmo é brincar, fazendo sexo para dar e receber prazer. E quem gosta mais de brincar: meninos ou meninas? Creio que isso responda a pergunta “quem gosta mais da fruta?”. O que muda é que, desde cedo, meninos e meninas demonstram gostos por brincadeiras diferentes. As meninas vão logo para as bonecas, e os meninos para as brincadeiras de luta e os esportes de ação, o que equivale a dizer que, mesmo que hoje os dois iniciem sua vida sexual ao mesmo tempo e tenham até uma quantidade e uma qualidade de experiências semelhantes, haverá sempre um descompasso a ser corrigido. E talvez aí resida o grande barato de toda essa brincadeira: a possibilidade de ensinar e aprender um com o outro as regras e os atalhos de um dos poucos jogos  em que não existem adversários mas parceiros e o maior objetivo não é ganhar do outro, mas ganhar com o outro.

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