Quando o vizinho é muito melhor

sexta-feira, 21 março 2008, 08:48 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Coitado de você que, ao invés de curtir o que você tem, fica sonhando em ter o que é dos outros.

Não há nada condenável em desejar o que o outro tem. Essa pode ser uma maneira de você se estimular a correr atrás de suas próprias conquistas.

Certa vez, estava trabalhando para um banco em um desses eventos “motivacionais”. A atração do dia seria uma palestra do alpinista Waldemar Niclevicz, que prometia contar detalhes de sua aventura na escalada do Everest. Recheado de imagens fantásticas, o relato do alpinista foi, de fato, fascinante. Mas confesso que o que mais me chamou a atenção foi o fato de ele dizer que qualquer um que estava naquela sala poderia chegar ao mesmo resultado, colocando a bandeira brasileira no pico mais alto do mundo. “Bastava” se preparar para isso…

No caso de Waldemar, essa preparação levou mais de 10 anos e envolveu um trabalho diário de preparação física e freqüentes investidas contra outras montanhas menores ao redor do mundo. Em outras palavras, é possível sim chegar ao nível do alpinista Waldemar, só que não é lá algo muito fácil. Portanto, se você quiser conquistar os louros que ele conquistou, vai ter que trabalhar um bocado. Ou você pode agir como uma criança e tentar desqualificá-lo: “foi sorte”, “ele não tem que sustentar uma família”, “se eu não precisasse trabalhar para sobreviver, faria melhor do que ele”. Como esse tipo de reação costuma ser emocional e não racional, normalmente não percebemos o quanto estamos sendo ridículos – tão ridículos quanto invejar o vizinho, quem quer que você coloque nesse papel.

O vizinho pode tanto ser o vizinho da sua casa mesmo ou um vizinho de “baia”, um colega de trabalho que está se dando melhor do que você, ou um ex-namorado de sua mulher ou qualquer pessoa que você usar para se rebaixar. Porque é exatamente isso o que fazemos quando estabelecemos esse tipo de comparação, selecionando no outro alguma característica que julgamos ser superior às nossas qualidades: promovemos um ataque a nossa auto-estima – um ataque bobo, infantil, na medida em que não nos ajuda em nada. A única coisa que isso nos ajuda é a identificar que estamos passando por um algum problema, para só enxergar no outro aquilo que não temos – muitas vezes, até temos ou temos em potencial, mas estamos vivendo uma síndrome de cegueira interna e só enxergamos as qualidades dos outros.

Se você olhar direito, verá que o carro do seu vizinho consome combustível demais e as peças custam tão caro que é por esse motivo que ele está sempre limpo, afinal, raramente sai da garagem! E o seu leva você para todos os lugares que você precisa ir, fazendo o seu papel de “veículo de transporte” direitinho. Quando carros, dinheiro, pintos e mulheres se transformam em símbolos de status, é sinal de que está na hora de você pensar sobre o papel real que cada um tem na sua vida. Pode estar certo de que, se fizer isso seriamente, você irá acabar descobrindo que já tem tudo o que precisa para ser feliz.

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