Não há como qualificar intimidade. Ela é positiva ou negativa dependendo de como é utilizada. Como uma energia neutra, pode ser manipulada para qualquer lado, e cada direção implica numa força contrária correlata. Então, não percamos tempo tentando responder essa pergunta. O melhor é ir direto mostrando como a mesma questão pode ser vista de dois lados diferentes e, ao mesmo tempo, verdadeiros.
A intimidade permite que saibamos o que dá prazer ao outro,
Mas, com isso, ela também pode levar um relacionamento à rotina e a atos mecânicos repetitivos.
A intimidade é uma força truculenta que irrompe invadindo o banheiro quando você está tranquilamente sentado no assento lendo sua revista semanal preferida. E ainda reclama de sons e odores que você e ela sabem que não estão totalmente sob seu controle.
Mas é também a intimidade que lhe dá o conforto de alicerces profundos, que sustentam seus sonhos e realizações.
A intimidade atrapalha quando chega naqueles momentos em que queremos e precisamos ficar a sós, mas nos provoca a sensação de acolhimento, nos faz sentir como parte de algo maior.
A intimidade torna a vida leve, produz vidas amigas, a intimidade é a única coisa capaz de saciar o fogo da paixão. E, por causa disso mesmo, é tão perigosa.
A intimidade produz a ilusão de se saber tudo sobre o outro. A intimidade coloca rótulos em produtos que ainda não ficaram prontos.
O primeiro significado que surge para íntimo é estar muito dentro. Dentro da onde? É estar dentro do outro…
Pensar de verdade na intimidade assusta. Dá medo imaginar-se mergulhado no outro. Por isso, a intimidade às vezes dá a sensação de que caímos em um abismo sem fim, um buraco negro, eternamente condenados a sofrer, dissolvidos em um outro ser.
É a intimidade o dicionário do amor, só ela explica esse sentimento de apego tão grande, que nos desapegamos completamente de nós mesmos, para fluirmos, nos fundirmos com o outro. Intimidade é sexo cármico e cósmico reunidos.
Intimidade é não mais reconhecer-se e, ao mesmo tempo, conhecer-se através do outro.
Intimidade, talvez melhor seria não tê-la, mas se não a temos, como sabê-la?