Quantas paixões cabem num coração?

domingo, 15 junho 2008, 17:45 | | 4 comentários
Postado por Fábio Betti 

É difícil achar um bicho que não tenha um coração. Ele está presente nos anelídios, anfíbios, crustáceos, peixes, répteis, aves, mamíferos, mas é no homem que ele ganha uma conotação toda especial.

O coração humano pesa, em média, 400 g. e mede cerca de 12 cm. de comprimento por 8 a 9 cm. de largura, o que dá, mais ou menos, o tamanho de um punho fechado. Ele quase sempre continua a crescer em massa e tamanho até um período avançado da vida, mas esse crescimento não é associado a qualquer traço de paixão pelo qual o dono ou a dona do coração tenha passado.

Aliás, costuma-se associar o coração a alguns sentimentos como, por exemplo, paixão e raiva, porque, quando eles aparecem, nosso coração se altera de tal forma, que, a depender de sua saúde, pode, sim, levá-lo a um colapso. Volta e meia, a imprensa traz casos de pessoas que tiveram um ataque cardíaco fulminante no momento em que estavam vivendo uma forte emoção. No dia 11 de fevereiro de 2008, por exemplo, a UOL registrou a morte por ataque cardíaco do médico nefrologista Adaílton Rodrigues, de 67 anos, na saída do estádio onde ele havia ido para assistir ao maior clássico baiano, o duelo entre os times de Vitória e Bahia. Adailton era torcedor do Vitória, que havia perdido a partida por 2 a 0. Mais certo seria, portanto, dizer que ele morreu de raiva e não de paixão.

Outra reportagem, desta vez, publicada pela Revista Planeta em abril de 2008, diz que sempre que brigamos com uma pessoa que é importante para nós, sentimos o sangue ferver e o coração bater mais rápido. A pressão sangüínea aumenta e o sistema imunológico tem seu funcionamento reduzido. Neste momento, a pessoa, realmente, tem mais chances de sofrer um ataque cardiorrespiratório, a exemplo do que ocorreu com Adailton. Só que, ao contrário da raiva, a paixão e o carinho fazem com que o corpo relaxe, além de fortalecer o sistema nervoso e aliviar o estresse. O sentimento de ser amado também contribui para a recuperação do organismo e aumenta a taxa de hormônios anti-envelhecedores.

Se apaixonar-se e sentir-se amado são coisas que fazem bem à saúde, por que não fazemos isso com mais freqüência?

Não há como esgotar nessa coluna os possíveis motivos dessa negação, mas dá, pelo menos, para falar sobre aquela que parece ser a razão principal: o medo da rejeição, esta, sim, uma vilã cruel, capaz de aleijar e matar os corações mais fortes.

A rejeição talvez seja o sentimento mais próximo da morte, na medida em que ela nos coloca em uma posição de tamanha inferioridade e impotência, que, muitas vezes, até a morte parece um lugar mais reconfortante. Por medo da rejeição, desistimos de um jogo antes de ele começar, porque há sempre o risco de perder. Mantemos o coração fechado, para, quando a paixão bater à porta, evitarmos um possível sofrimento futuro.

O problema desta “lógica” é que, quanto mais a muralha que construímos nos mantém seguros, mais perto ficamos do sofrimento que, no fundo, é a única coisa queremos evitar. Porque se não sofremos pela rejeição, sofremos pelo não-sentir, pelo não viver a possibilidade de uma grande paixão e/ou um grande amor. Escolhemos, portanto, a morte que, não importa a religião que você tenha ou não tenha, é, por definição, o contrário do estado de viver.

Um poderoso combustível para a rejeição são as regras sociais. Através delas, aprendemos que não podemos desejar nossa mãe, irmãs, primas, enfim, ninguém da família. São as regras sociais também que definem o grau de penetração das paixões em nossos corações – “uma menina não pode transar no primeiro encontro!” – e a quantidade de paixões– “só pode uma de cada vez!”

E aí eu pergunto: você já se apaixonou por mais de uma pessoa ao mesmo tempo e viveu o dilema de ter que escolher com quem ficar? Então, seja bem-vindo ao mundo normal, que, às vezes, sobe à tona para dar uma espiadinha no mundo maluco que funciona acima da superfície, esse mundo que os seres humanos – e não uma “força suprema” – criaram e que, a despeito de muitas leis que realmente contribuem para um convívio mais harmônico, ainda é regido pelo medo e pela ignorância.

Portanto, se você está, nesse momento, com seu coração ocupado por muitas paixões, você tem a opção de escolher um caminho social ou um caminho marginal. O caminho social costuma ser o da razão, e o caminho do coração…bem, “quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração e quem irá dizer que não existe razão?”

4 comentários para “Quantas paixões cabem num coração?”

  • Silvana Vargas disse:

    Adorei esta matéria!!! Estou vivendo uma situação dessas…
    To gstando de duas pessoas ao mesmo tempo…
    È complicado, mas ao mesmo momento é aventureiro…

    Um é complicado (comprometido ) e o outro não… Vou levando e curtindo o momento
    em que estou com cada um, pq são momentos particulares em que cada um me proporciona diferente do outro.

    Seja o que DEUS quiser….

    Abraço a tdos…

  • Fábio Betti disse:

    Silvana, se você não sabe o que fazer ou com quem ficar, o negócio é esse mesmo: curtir o momento presente, encarando suas duas paixões realmente como presentes que a vida lhe deu. Boa sorte!

  • Nancy disse:

    A melhor maneira de sentir-se muito feliz junto da pessoa amada….é em primeiro lugar
    lembrar que ela sempre está esperando o ser amado, e se derrepente ela descobre que ele tem mais de uma paixão…. desaba por completo a confiança, e daí então eu digo que já ñ é ser justo, mas sim um traidor(a) principalmente se já tem comprometimento com familia.
    isso de curtir mais que uma paixão ao mesmo tempo…prá mim significa traição.
    quem ama e sente-se satisfeito não precisa procurar mais que uma paixão, principalmente se já tem um compromisso sério ( casado (a) e filhos ).

  • Nancy disse:

    A melhor maneira de sentir-se muito feliz junto da pessoa amada….é em primeiro lugar
    lembrar que ela sempre está esperando o ser amado, e se derrepente ela descobre que ele tem mais de uma paixão…. desaba por completo a confiança, e daí então eu digo que já ñ é ser justo, mas sim um traidor(a) principalmente se já tem comprometimento com familia.
    isso de curtir mais que uma paixão ao mesmo tempo…prá mim significa traição.
    quem ama e sente-se satisfeito não precisa procurar mais que uma paixão, principalmente se já tem um compromisso sério ( casado (a) e filhos ).

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