Ok, concordo que o enunciado deste artigo ficou meio “cabeça”. É que falar sobre nossa crise atual de falta de tempo é como discorrer sobre a economia mundial, ou seja, é um tema praticamente impossível de ser abordado em um blog, tamanha a complexidade da questão. E o que é complexo em nossa luta contra o tempo tem a ver com o fato de termos nos perdido em meio ao bombardeio a que nos temos submetido no mundo contemporâneo da comunicação digital.
Não há a menor possibilidade de acompanharmos todos os blogs e sites de notícias que assinamos, é impossível ler todos os livros que gostaríamos, como tem se tornado uma utopia cultivar relacionamentos mais profundos com nossos amigos, pois estamos todos ocupados demais tentando manter o nariz para fora, nesse lodo de tarefas em que nossa vida se transformou.
Não temos mais tempo sequer para priorizar o que fazer primeiro, e aí certamente reside nosso maior erro. Reservamos mais tempo para limpar nossa caixa postal dos ataques diários de e-mails indesejáveis do que para estar com quem a gente ama ou simplesmente fazer sexo ou dar um amasso ou qualquer outra coisa que, de fato, é muito mais prazerosa do que ficar na frente de um computador apagando tudo o que é mensagem que tenha títulos como “Enlarge your Penis” e “Replica Watches”.
Quando não diferenciamos aquilo que queremos fazer daquilo que, aparentemente, temos que fazer, viramos reféns desse controle externo, que nos faz agir como uma metralhadora insana, a cuspir bala para tudo quanto é lado e sem qualquer objetivo específico.
O problema é que, para priorizar, é preciso analisar, comparar, hesitar, verbos que só podem agir dentro de nós se não houver dispersão de atenção. A expressão “parar para pensar” não é à toa. Na correria do dia-a-dia, somos movidos por adrenalina, aquele hormônio natural que teve uma função fantástica quando fugíamos correndo assim que avistávamos ou sentíamos o cheiro de leões, mas que, nos tempos atuais, nos ajuda muito pouco, na medida em que tem sua produção estimulada por leões imaginários, nos envenenando, portanto, a razão sem qualquer benefício concreto. Só mesmo brecando a adrenalina, ou seja, esquecendo-se um pouco de toda as pressões externas, para conseguir olhar a nossa vida, o nosso mundo do ponto de vista correto: olhar de dentro para fora.
Quando fazemos isso, paramos para pensar no que é importante para nós, conseguimos perceber o que precisamos fazer primeiro, o que devemos dar mais tempo e atenção e o que podemos abrir mão em nome de uma vida mais equilibrada. Mas o mais importante é se perguntar sobre os motivos reais que nos impelem a aceitar esse ritmo impossível de se manter a longo prazo, essa necessidade de responder a tudo e a todos a todo o momento.
Pode estar certo: não há melhor presente do que se dar um tempo para você!
Nessa parada para balanço, proponho um exercício bem simples. Imagine que você foi acometido por um mal súbito e inesperado e acabou batendo as botas. Enquanto você estiver sendo velado em seu caixão por parentes e amigos mais próximos, haverá, provavelmente, muito mais gente puta da vida com você, que não respondeu o e-mail dessas pessoas. E, claro, você não estará nem aí para elas! Mas acredite: você não precisa morrer para se livrar desta maldição…