Para que serve uma relação? (visão totalmente particular)

domingo, 24 agosto 2008, 17:45 | | 7 comentários
Postado por Fábio Betti 

Cena 1: Lua cheia na praia da Baleia. Clima quente, que não combinava de jeito nenhum com o forno disfarçado de quarto daquela pousadinha barata em Barra do Sahí. Resolvemos dormir ali mesmo, abraçadinhos, sob a esteira, embalados pelo barulho do mar.

Cena 2: O Gabriel teve mais uma crise noturna de asma. Ele respira com muita dificuldade. Corremos para o pronto-socorro. Depois de mais de uma hora de inalação, ele finalmente se acalma. E nós também…

Cena 3: Chego arrasado de um dia péssimo. Nada deu certo. A vontade é de desistir. Um ombro espera meu desabafo. Ela me faz um cafuné gostoso. Durmo tranqüilo.

Cena 4: A dor chega com uma primeira pontada. Não sei ainda se ela vai evoluir ou passar. Tomo 40 gotas de Buscopan e vou pra cama. Acordo no meio da madrugada com a maior dor de todas. Pressiono o rim direito. Cólica renal. Dor brutal. Ando de um lado para o outro na sala do apartamento. Estamos na Praia Grande. Acordo a Cláudia. Pedimos a uma vizinha para olhar as crianças. Ela me leva ao Pronto Socorro, segura minha mão enquanto aguardo impaciente pelo Nirvana que vem na forma de um coquetel de Plasil, Buscopan e Tramal. O mundo é lindo de novo…

Cena 5: “Não há traição sem tradição. E não há tradição sem traição”. Depois de assistirmos e nos impressionarmos com a peça “Alma Imoral”, compramos o livro do rabino Nilton Bonder e lemos em voz alta, todas as  noites, antes de dormir. Fizemos o mesmo com “Lavoura Arcaica”. Todo casal deveria fazer isso de vez em quando: compartilhar um livro que pede para ser lido em voz alta.

Cena 6: Não estamos nos entendendo. Os momentos de silêncio são mais intensos do que os diálogos. Discutimos, nos ofendemos mutuamente. Cada um vira para um lado e imagina como seria se nos separássemos.

Cena 7: Viajamos para Vancouver. Como dois caipiras chegando à praia, vimos neve pela primeira vez. Nos emocionamos com a vista da cidade lá do alto da montanha. Estamos sós e não precisamos de mais ninguém. O vento sopra trazendo um ar limpo e revigorante.

E quanto a você, para que serve sua relação?

7 comentários para “Para que serve uma relação? (visão totalmente particular)”

  • Angelica disse:

    Hoje fazem 10 anos que estamos casados!
    3 filhos maravilhosos.Pedras e flores temos todos os dias, jogamos as pedras fora.
    Todas as 7 cenas são de uma intimidade ímpar que só podemos ter com aquele que amamos.
    A minha relação serve para ter um amor profundo e um companheirismo total.

  • Fábio Betti disse:

    Angélica, cada casal cria seu próprio filme, e as cenas vão refletir o tipo de história que cada um constrói. A diferença é que, no cinema, todo mundo espera um final feliz, enquanto na vida real, quando o assunto é casamento, parece que, hoje em dia, o que as pessoas esperam é justamente o contrário: um final feliz. Por que será?

  • vilma serviuc disse:

    Um homem e uma mulher,juntos conseguem vencer todas as barreiras que a vida lhe impõem.A vida não tem sentido algum se não tivermos alguém para nos procupar,para nos doramos,para fazer alguém do sexo oposto feliz.Isso quando realmente encontramos nossa cara metade.Se um homem e uma mulher tiver um ao outro por completo,nada além de DEUS,pode detelos.Pois o verdadeiro amor foi criado por DEUS,e ele fez o homem e a mulher para andarem juntos,la à lado.

  • Fábio Betti disse:

    Querida Wilma, apesar de manter uma união feliz por quase 15 anos, conheço gente que, no momento, não tem ninguém pra chamar de seu e, mesmo assim, é muito feliz, o que significa qu a felicidade pode se conseguir sozinho ou acompanhado. Abraços

  • vilma serviuc disse:

    Simplesmente para deixar a vida mais interessante.

  • cristiane disse:

    sou casada ha 14 anos mas a quatro anos atras fui traida e entao nao consigo viver feliz ;voltei apos um ano do fato ;pois nao conseguia ficar sem ele ;mas nao sou feliz pois nao esqueço o que houve;mas me sinto incapaz sem ele

  • Fabio Betti Rodrigues Salgado disse:

    Cristiane, sinto que não adianta nada dizer que tudo passa, até mesmo a dor mais profunda, por isso resolvi lhe dizer apenas que agradeço por você partilhar um pouco de sua dor aqui e que fique à vontade para fazer isso de novo sempre que desejar. Abraço carinhoso.

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