Nascido em 1917, numa família humilde de 9 irmãos, na pequena cidade de Cafelândia, interior de São Paulo, José Agradecido, também conhecido como o Profeta Gentileza, espalhou suas mensagens pelos muros e viadutos do Rio de Janeiro nas décadas de 70, 80 e 90.
Andarilho contumaz, Gentileza era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho.
Se ele era viado, não faço a menor idéia. O fato é que sair por aí distribuindo gentileza deu a José Datrino, seu nome de batismo, a alcunha de maluco. Aos que, no entanto, o chamavam de louco, ele simplesmente respondia:
"Sou maluco para te amar e louco para te salvar".
Pouco depois de morrer em 1996, o Profeta Gentileza recebeu uma bonita homenagem de Marisa Monte, que compôs a canção “Gentileza’, lançada, não por acaso, no CD “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor”, um dos trabalhos mais românticos da cantora.
Gentileza, romantismo, respeito, compaixão, carinho existem para nos fazer mais felizes. O que deveria espantar, portanto, não é o encontro com o que é capaz de tornar nossa vida mais feliz, mas o próprio espanto diante desta possibilidade.
Por que é que nos apegamos tão facilmente à desgraça e à escassez e negamos, sistematicamente, a felicidade e a abundância? Isso, sim, é de se espantar! Isso, sim, é a verdadeira loucura!
Mas se é para ser chamado de viado ou maluco por “excesso” de gentileza, que assim seja. Certamente, mais vale um viado ou um maluco feliz do que qualquer pessoa que escolha o caminho da tristeza. Para estes, vale a máxima do romântico platônico, para quem a “tristeza não tem fim, felicidade sim”. Para estas pobres almas e para todas as outras, que seguem as pegadas do Profeta Gentileza, deixo aqui um versinho de outra música de Marisa Monte, que também faz parte do CD “Memórias, Crônicas e Declarações de Amor”. A música “Amor, I love you” é mais um hino ao amor sem culpa, e o trechinho que explica de maneira simples tudo o que escrevi neste post é recitado pelo Arnaldo Antunes:
"Tinha suspirado… tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido.
Sentia um acréscimo de estima por si mesma,
E parecia-lhe que entrava enfim
Numa existência superiormente interessante
Onde cada hora tinha o seu encanto diferente
Cada passo conduzia a um êxtase
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."