Todo mundo tem algum tipo de receita para a convivência a dois. Palavras como paciência, respeito e expressões como aprender a dividir e fazer concessões sem deixar de preservar a própria privacidade aparecem, invariavelmente, na maior parte delas.
O título deste texto, sugerido por uma leitora, me levou a pensar sobre minha própria receita. Depois de viver por quase 10 anos sozinho, já estou há 14 com minha mulher. Como, no momento, nem nos passa pela cabeça a idéia de separação – coisa, eu diria, corriqueira em qualquer casal com alguns anos de relacionamento -, alguma coisa, certamente, temos para compartilhar nessa área da convivência.
O problema é que, quando penso na idéia de receita, não consigo organizar os ingredientes que empregamos em nosso dia-a-dia, uma vez que eles parecem mudar o tempo todo. Por exemplo, existem situações onde isolar-se para refletir melhor sobre um problema é muito melhor do que colocar a boca no trombone, enquanto que, em outros momentos, ocorre justamente o contrário. Têm dias em que fazer vistas grossas para a bagunça que ela faz em todos os cômodos de casa é o mais natural a fazer. Já em outros, se eu não colocar o quão incomodado estou com a falta de ordem pode levar a uma discussão muito mais séria.
Isso quer dizer que vou ficar aqui enchendo lingüiça ao invés de deitar uma receita de convivência a dois? De jeito nenhum. Quer dizer apenas que talvez devêssemos dar menos atenção às inúmeras receitas que nos prometem o caminho do sucesso ou da felicidade. Muitas delas, possivelmente, deixaram seus autores bem-sucedidos ou felizes, mas ter dado certo para eles não significa que irá dar certo para outras pessoas. Quer fazer um teste? Pegue aquela receita do pudim de leite espetacular que sua avó fazia e tente obter o mesmo resultado. Por que não conseguimos reproduzir ipsis literis as receitas dos grandes chefes? No máximo, obtemos algo parecido com o original.
Mas não vou deixar você que chegou até aqui simplesmente órfão de qualquer indicação de caminho. Se há alguma coisa que figura na receita de qualquer relacionamento é a vontade de estar junto e de construir pontes quando surgirem abismos e obstáculos.
“Realmente, quero continuar com ela?” Sempre me faço esta pergunta quando conviver se torna, às vezes, difícil. Até hoje, nunca obtive um não convicto como resposta. Isso não significa que o sim venha acompanhado de fadinhas voadoras e trilha angelical. Pelo contrário, quando chego ao ponto de me questionar se quero continuar com alguém, a resposta sempre vem com alguma expectativa de que algo precisa ser melhor esclarecido ou até modificado. A partir daí, refletimos sobre o que desandou na nossa receita e começamos tudo outra vez, eventualmente, trocando alguns ingredientes e o modo de preparo. Desde que a fome seja comum, haverá sempre uma forma diferente de fazer uma receita que funcione.
gosto muito do meu noivo ja moro com ele na casa dosn pais dele
poxa nao consigo fingir q estou com raiva ele ja sabe
o q mas me encomoda é quando as pessoas ligam para ele pra tudo
e ele vai nao aguento mas ja pensei ir á ter emborar da casa dele
mas nao tenho coragem