O Amor não dura para sempre

terça-feira, 07 outubro 2008, 07:44 | | 2 comentários
Postado por Fábio Betti 

Escrito por Ashara G. Souza


Uma amiga e mestra em terapia reichiana – a americana Aneesha Laura Dilon – em seu livro Tantric Pulsation coloca de forma brilhante: “Se você quer experimentar o céu e o inferno, de forma imediata e terrena, não há melhor lugar para buscar do que nos relacionamentos amorosos”. E complementa: “Nos nossos esforços para conectar e comungar com o outro, para fazer uma ponte entre a fenda que separa os sexos opostos, descobrimos em nós mesmos o divino e o demoníaco”.

Cada vez mais pessoas estão descobrindo esses pólos e começam também a procurar entender o que acontece quando nos unimos num matrimônio ou mesmo num simples namoro.

Vamos então tentar entender um pouco sobre esse assunto que talvez seja o tema mais polêmico e também o mais comum da humanidade – relacionamentos amorosos.

Gostaria de colocar um olhar bio-psico-social neste tema para tentarmos entender a busca do amor.

A raiz dos relacionamentos inicia-se com um aprendizado social, com pais e mestres. Nossos pais, professores, tios, padres e vizinhos nos ensinam algo que na maioria das vezes não condiz com nossa realidade experiencial. Eles dizem: “O sexo é perigoso… é sujo… não devemos nos entregar a qualquer um… se engravidar não aceitaremos mais você de volta…” E toda a sorte de preconceitos. Além disso, muitos presenciam verdadeiras aulas de desamor, desconfiança e mentiras na própria casa.

Quando entramos na fase da experiência sensual, isto é, o momento da descoberta do prazer sensitivo, já estamos acobertados de culpas, conceitos e julgamentos que nos impedem de viver o prazer de forma inocente e natural.

Partimos então para a segunda fase, a experiência sexual propriamente dita. Aí a coisa se complica ainda mais, pois já estamos superlotados de preconceitos e crenças trazidas da primeira infância e reforçadas por muitos programas de televisão e revistas de terceira classe.
E a partir dessa primeira experiência sexual normalmente mal vivida, cheia de culpa e medo, partimos para uma fase de inconsciência sexual, na qual ou queremos transar com todo mundo ou nos retraímos e nos envergonhamos da nossa sexualidade.

É normalmente com essa cabeça que somos impulsionados pelos hormônios em parceria com a família e a sociedade a encontrar nossa cara-metade. Então nos acasalamos.

Coloco a palavra acasalar ao invés de casar para chamar atenção que nos casamos totalmente inconscientes de nossas emoções. Mais impulsionados pelos hormônios biológicos do que por uma energia amorosa consciente. E é nesse quadro que literalmente tropeçamos no outro.

O que acontece bioenergeticamente? Bom, vamos tentar entender: comecemos pelo sexo. O sexo é a energia básica do ser humano. Podemos dizer que ela é a chama que acende tudo de bom e também de ruim que possuímos dentro de nós. Quando vivemos sexualmente com alguém, essa energia sexual rompe diversas barreiras energéticas para chegar ao chakra do coração – a fonte energética do amor. É dessa forma que nos apaixonamos. Algo no coração energético se expande e emite vibrações amorosas que se conectam com o coração da pessoa, agora amada. É a esse processo que chamamos “lua-de-mel”. Ela é normalmente rápida.

A “lua-de-fel” inicia-se quando queremos manter a lua-de-mel para sempre.
Como tudo na nossa vida, o amor também tem duas polaridades. A primeira é o encontro e a segunda é a separação. Mas, não me entendam mal, quando falo em separação não quero dizer: “não quero mais morar junto com você”.
Podemos entender melhor isso se comparamos o relacionamento com a respiração. A respiração parece uma coisa só, mas ela também tem dois pólos – a inspiração e a expiração. Pense na possibilidade de viver somente com a inspiração. Tente agora: inspire, prenda e veja o que acontece. Você vai ver que depois de um ou dois minutos o seu sistema vai implorar por uma expiração.

Compare esse exemplo com o seu relacionamento e você vai ver que todos precisam dos dois momentos. Momentos de estarem juntos – conectados no amor e com o aconchego -, como também precisamos de momentos de solitude – momentos que queremos estar a sós conosco ou com outros amigos.
Os contos de fadas e os filmes de histórias românticas compreenderam erroneamente os relacionamentos amorosos. O amor não dura para sempre. E quando ele se vai, ele deixa um turbilhão de incompreensões, mágoas, raivas, ciúmes e muitas feridas.

Na maioria das histórias, como Romeu e Julieta, por exemplo, os heróis apaixonados não têm permissão de viver por muito tempo. Seu amor permanece puro e lindo porque eles não têm tempo de se cansarem do outro, de verem no outro os desvios de personalidade, nem os vícios que certamente cada um traz consigo.

Sempre que inicio um trabalho terapêutico com um cliente que traz o tema de relacionamento, coloco que um relacionamento vem sempre como um pacote completo de amores e dores. São dois pólos: um que podemos chamar de positivo e o outro de negativo. O positivo é o amor e o prazer e o negativo vem na forma de dores, pressões emocionais, feridas reabertas, sentimentos de abandono e incompreensão.

O que normalmente não compreendemos é que todas as dores e feridas que achamos serem causadas pelo outro, na verdade nos pertencem. O outro é simplesmente um gatilho que toca em feridas profundas quando nos abrimos para sermos amados.

Compreendido este primeiro ponto, acrescento que não é possível viver o amor se não revivermos os traumas e re-experimentarmos conscientemente os sentimentos dolorosos que trazemos de experiências passadas. Reconhecendo isto e tomando essa responsabilidade em suas mãos é, sim, possível viver relacionamentos amorosos cheios de amor, companheirismo e compreensão de ambas as partes.

Isto porque você compreenderá e começará a viver a sua própria fonte amorosa. Entendendo que o amor que se espelha no outro reside exatamente no centro do seu peito e que ele expande quando respeita os dois pólos: a inspiração – unindo-se ao outro – e a expiração – afastando-se e ficando consigo mesmo.

Ashara G. Souza é formada em Psicologia Transpessoal, Terapia Corporal e Constelação Familiar.

2 comentários para “O Amor não dura para sempre”

  • Edson disse:

    Nos dias atuais perdemos tempo demais olhando pra fora de nós, quando olhamos pra dentro usamos qualquer referência que não seja, nossos próprios comportamentos, impultando nos outros nossas próprias necessidades e deficiências. Se isso é de difícil aceitação pra si mesmo imagine quando partilhamos isso com outro ser o qual dizemos amar.

  • Edson disse:

    Nos dias atuais perdemos tempo demais olhando pra fora de nós, quando olhamos pra dentro usamos qualquer referência que não seja, nossos próprios comportamentos, impultando nos outros nossas próprias necessidades e deficiências. Se isso é de difícil aceitação pra si mesmo imagine quando partilhamos isso com outro ser o qual dizemos amar.

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