Por que será que as pessoas têm feito menos sexo?

domingo, 12 outubro 2008, 19:32 | | 2 comentários
Postado por Fábio Betti 

Recém-ingressos na puberdade, eu e meus amigos vivíamos contando vantagem. Um dizia que havia transado com a priminha do interior, outro com a vizinha ou com a empregada. Tinha até aquele que ousava afirmar que sua primeira vez havia sido com a mãe de algum amigo, confissão seguida por olhares entre incrédulos e preocupados: “com a minha mãe, é que não há de ter sido!”

O fato é que todos nós não passávamos de uns virgenzinhos envergonhados de nossa condição de completos inexperientes nas artes do sexo. Bem… havia, claro, toda a experimentação da masturbação, motivada pelos estímulos mais sutis. Bastava imaginar um mamilo aceso por detrás de uma blusa, um calcinha aparecendo por um instante em uma cruzada de pernas ou o olhar lânguido da gostosona uns três anos mais velha que nossa turma, a nos provocar por mera diversão, para que corrêssemos enlouquecidos para o banheiro. De nada adiantava falar que poderíamos ficar com anemia ou que pelos começariam a nascer nas palmas das mãos. Encarávamos o prazer solitário com a seriedade de quem treina para as Olimpíadas. Olimpíadas que, para a maioria de nós, iriam chegar pelas mãos de alguma prostituta, fazendo da primeira vez muito mais um vestibular de ingresso na categoria dos machos do que uma experiência de paixão e entrega.

E, claro, mesmo sendo com uma prostituta, a primeira vez era de fazer inveja a qualquer astro pornô. Além de atingirmos o orgasmo inúmeras vezes e nas mais exóticas posições, todos, sem exceção, havíamos deixado nossas parceiras totalmente enlouquecidas. Se era para contar para os amigos como havia sido nossa primeira vez, tinha que ser algo de cinema. Intimamente, no entanto, guardávamos o segredo dos meninos que, de repente, se viram frente à frente com o sexo de uma mulher e, como um novo brinquedo que não vem com manual, não fazíamos a menor idéia do que fazer com ele!

Assim que nos pareceu conhecê-lo – o sexo da mulher – o suficiente para nos soltarmos, procuramos praticá-lo o máximo que éramos capazes. A verdade é que qualquer moça que, de repente, quisesse dar pra gente, nunca era recusada, mesmo que, intimamente, não sentíssemos a menor vontade de levar o ato a cabo. Resultado: vivemos relações tão frias e mecânicas quanto algumas de nossas solitárias masturbações. Nos obrigamos a mostrar nossa potência de macho, nossa virilidade sempre pronta para atuar e…servir, mesmo que, em diversas vezes, ficássemos muito distantes de servir nossa parceria no que ela de fato queria: afeto. Estávamos preocupados demais em azeitar as engrenagens de nossas máquinas para perceber que sexo era um negócio que tinha a ver com carinho. Nosso foco era a ejaculação!

Creio que não seja preciso dizer que ninguém consegue ser feliz, sexualmente falando, quando transar vira uma tarefa e o parceiro um mero meio para se atingir um objetivo. Não estou aqui dando uma de Madre Tereza de Calcutá. Isso não tem nada a ver com puritanismo. Sexo não tem nada de puritano, mas também não tem nada de mecânico, performático, programado.

Quem se preocupa em contar quantas vezes tem feito sexo é porque, talvez, não esteja satisfeito com a qualidade do sexo que tem feito. Volta-se, de repente, para a eficiência, para os controles estatísticos que nos mostram coisas curiosas, como, por exemplo, que determinado grupo de pessoas tem feito sexo 2,5 vezes por semana – o que seriam 2,5 vezes? Duas transas e uma broxada?

Quando se tem sexo com qualidade, uma simples noite de amor pode soar como mil bimbadas mágicas ou milhões de orgasmos cósmicos. Mas isso não quer dizer que uma noite como essas só precisa acontecer uma vez por mês, né?

Se houver disponibilidade e tesão para manter o sexo dentro de uma alta freqüência, o negócio é agradecer ao Divino e… mandar ver!

Se, por outro lado, esse encontro só acontece mesmo raramente, mas os dois envolvidos estão super satisfeitos com isso, qual é o problema?

2 comentários para “Por que será que as pessoas têm feito menos sexo?”

  • Leo disse:

    Continuação…”Se, por outro lado, esse encontro só acontece mesmo raramente, mas os dois envolvidos estão super satisfeitos com isso, qual é o problema?” Concordo, em tese. Qdo nossa frequencia cai o sexo continua espetacular, mas não fico satisfeito pq o tesão não apaga. A testosterona me sufoca, palavras a minha mulher… Ela é compreensiva e não posso reclamar. Temos nossas diferenças, mas ela procura me “atender”. Só refuga qdo está muito cansada. Sendo justo, não tenho do que reclamar. Pra mim tem que haver um compromisso entre qualidade e quantidade. Forte Abraço e parabéns pelo site.

  • Fabio Betti disse:

    Caro Léo, relatos como o seu é o que nos motivam a manter um blog como esse. Você traz esperança renovada a quem não acredita que o sexo seja possível depois do casamento, aliás, depois de 20 anos de casamento! Minha esposa não gosta muito quando revelo detalhes de nossa vida íntima, mas acho que compactuo da mesma benção que você…rs. Abraços.

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