Como viver um grande amor

terça-feira, 23 dezembro 2008, 08:41 | | 2 comentários
Postado por Fábio Betti 

Escrito por Anna Sharp

Qualquer tipo de relacionamento envolve uma troca de interesses e, quando começamos uma relação, existe sempre uma segunda intenção por trás de todos os pequenos gestos aparentemente inocentes: o homem querendo chegar até a cama e a mulher ao altar. Nesse momento, usamos de todos os recursos para a sedução e contamos com a nossa química orgânica fabricando hormônios para nos auxiliar.

Para que esta relação possa se aprofundar, é preciso estar consciente do estado quase permanente de ‘carência’ em que vivemos: existe em nosso interior uma criança esfomeada de amor e aceitação, procurando desesperadamente ser saciada. A tendência natural é buscar no companheiro(a) a completude, e é preciso muita atenção para não cair na tentação de colocar na correspondência do outro a avaliação de nós mesmos, ou seja, entregar a chave do poder sobre nossa felicidade: Se ele me amar, é porque sou ótima e, se ele não me amar, é porque sou horrível!

Vivemos em um permanente estado de culpa, consciente ou inconsciente de não sermos verdadeiramente o que exigimos que o outro seja, ou de não correspondermos às expectativas dos outros nem as nossas. No íntimo, nos sentimos uma fraude e reagimos de duas maneiras: ou projetamos a culpa no outro, ou nos castigamos através de mil esquemas de auto-sabotagem. Assim sendo, não nos sobra energia para aprendermos com nossos erros, e a responsabilidade sobre nossas escolhas fica esquecida.

Também é preciso estar atento a outro grande inimigo da felicidade: o orgulho, um dos maiores responsáveis por nossos sofrimentos. Quando ele é tocado por palavras descuidadas, a reação é imediata: revidamos imediatamente, provando ao atacante a sua inferioridade, ou nos sentimos menores, guardando cuidadosamente o ressentimento (re-sentindo varias vezes a mesma dor), nos envenenando com ele através do bloqueio da corrente energética do amor, esperando o momento da vingança. A competição destrutiva é a responsável por muitos amores abortados.

Nessas horas é recomendável se perguntar: O que é mais importante pra mim, ter razão ou ser feliz?

Muito se fala, desde as mais remotas civilizações, sobre o amor, mas historicamente sabe-se que muito poucos foram os atos condizentes com a palavra, seu significado, ou o sentimento a que se refere. A aceitação do diferente é a mais importante.

A felicidade é construída pela valorização dos pequenos e simples instantes do cotidiano: as abelhas não esperam pelas orquídeas, nem pelas rosas para fabricar o seu mel; elas voam alegres ao encontro das pequenas flores do campo para adoçar a nossa vida…

* Anna Sharp é terapeuta autodidata e anticonvencional há dezoito anos. O texto acima foi publicado originalmente na revista "Viva".

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