“Como no mundo feminino, a percepção é muito mais desenvolvida, elas esperam que eles também sejam capazes de ler seus sinais de linguagem verbal, vocal e corporal e adivinhar seus desejos, tal como faria outra mulher… A mulher parte do princípio de que o homem vai ser capaz de descobrir o que ela quer ou precisa e, quando isso não acontece, diz que ele é ‘insensível, nem desconfiou!’. Ele reclama: ‘e eu sou obrigado a ler os seus pensamentos?’”
Este trecho foi extraído do livro “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?”, uma obra disfarçada de “auto-ajuda” que, na verdade, é baseada em pesquisas científicas sobre o modo de pensar e agir de homens e mulheres e que todo mundo que tem ou quer ter uma relação deveria ler.
Um dos problemas mais comuns enfrentados nos relacionamentos e que é abordado em profundidade pelo casal de autores Allan e Barbara Pease é, justamente, a agenda oculta, que se constitui basicamente dos pensamentos, desejos e expectativas que, por qualquer motivo, resolvemos esconder do outro.
Não há nenhum problema em guardar segredos. Todo mundo tem direito a preservar aquilo que considera mais íntimo e pessoal. O problema é que a maior parte de nossa agenda oculta é formada por coisas que não deveríamos esconder.
Você não gosta que ela fale enquanto vocês transam, mas, se você não colocar isso claramente, como ela irá saber?
Se, repentinamente, ela ficou em silêncio por algo que você tenha dito, como você irá saber se ela não expressar esse sentimento?
Se um de vocês quiser algo do outro, há, sim, a possibilidade de a química entre vocês ser tão forte que nem é preciso usar palavras. Mas se vocês não tiverem o dom da telepatia, precisarão aprender a se comunicar melhor.
Por exemplo, a cabeça do homem se desenvolveu para nos transformarmos em caçadores eficientes, ou seja, o mundo masculino é habitado por palavras como ação, alvo, foco, determinação. Enquanto a cabeça feminina foi talhada para que as mulheres pudessem ser criadoras eficientes, desenvolvendo muito mais sua capacidade de comunicação.
Se você quer algo de um homem, seja, portanto, direta. Não pergunte se ele quer um omelete, se é você quem quer o omelete. Peça, simplesmente, para ele fazer um omelete para você – claro, se ele souber como fazê-lo! Por outro lado, se o amigo quer algo de uma mulher, aprenda a ser mais suave e delicado. As preliminares não devem ser entendidas apenas como um caminho necessário à penetração do pênis na vagina, mas como uma forma de lidar com as mulheres de modo geral.
Precisamos dar passos em direção ao outro, para nos encontrarmos no meio do caminho. Esperar que o outro adivinhe o que queremos ou esperamos dele, além de uma tremenda burrice, costuma ser um dos principais fatores sabotadores das relações. Você se frustra porque ele não adivinha o que você quer e ele se frustra porque não entende sua frustração. E vice-versa.
Se era para nos comunicarmos sem palavras, não deveríamos nascer com bocas e ouvidos.