Como lidar com mensagens de duplo sentido (visão masculina)

terça-feira, 13 janeiro 2009, 08:26 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Um amigo, que trabalha como consultor para grandes corporações no mundo todo, está escrevendo um livro cujo título provisório é “Jogos Empresariais”. Nesse livro, ele procura ilustrar, por meio de exemplos, os prejuízos para as organizações causados por atitudes infantis de líderes e liderados. Por exemplo, na hora de negociar um orçamento, o funcionário apresenta um valor maior do que o que realmente precisa e seu chefe diz que tem menos do que o que realmente tem – cada um se acha mais esperto do que o outro! Para fazer algum tipo de pressão sobre você, um colega lhe envia um e-mail copiando o seu chefe – certamente, você já viveu uma situação como essa, seja como vítima seja como vilão! Segundo meu amigo, esse tipo de atitude custa milhões de dólares para as empresas todos os anos, que perdem tempo e energia demais nesses joguinhos bobos. Mas o maior prejuízo, na minha opinião, se dá mesmo nos relacionamentos, que perdem seu principal alicerce, a confiança. E aí me pergunto: o que move as pessoas a enganarem umas as outras?

Acredito haver níveis diferentes de consciência nessas comunicações de duplo sentido. Muitas vezes, não sabemos direito o que queremos e, na hora de nos expressarmos, não somos claros o suficiente e empurramos essa compreensão goela abaixo de nosso interlocutor. Para mim, o melhor exemplo é uma criança em uma loja de brinquedos: ela fica perdida em meio a tantas opções e se irrita quando seu pai ou sua mãe não conseguem entender exatamente o que ela quer e não é capaz de definir ou expressar.

Outra manifestação das mensagens de duplo sentido se dá quando temos medo de sermos rejeitados. Pegando um exemplo clássico, quando estamos a fim de alguém, por que não dizemos isso de maneira clara e direta? “Será que ela também está a fim de mim?” É o pensamento que, invariavelmente, nos acomete. E, como não temos certeza dos sentimentos dos outros, não somos suficientemente claros ao mostrar os nossos. Só que essa dúvida pode se manifestar – e é o que normalmente ocorre! – dos dois lados, o que cria um tremendo problema de comunicação, com os dois disparando mensagens de duplo sentido ao mesmo tempo. Quantas vezes não perdemos a oportunidade de um encontro amoroso por medo de sermos rejeitados? Quem não arrisca, não petisca…

Também recorremos às mensagens de duplo sentido quando não queremos assumir a responsabilidade por nossas escolhas. Sabemos – ou, pelo menos, achamos que sabemos – o que queremos, temos uma oportunidade concreta para expressar isso, mas não queremos arcar com as conseqüências dessa escolha. Eu, por exemplo, me vejo nesse tipo de situação quando tenho que tomar alguma decisão sobre direções em algum lugar não tão conhecido. Enquanto dirijo, costumo esperar que minha esposa diga a direção a tomar, e isso acontece até mesmo quando há uma placa indicativa do que deve ser feito!

E esse é um jogo, na maioria das vezes, totalmente consciente. Só que nem sempre percebemos que o que está por trás dele é nosso medo ancestral de errar. Quando não assumimos nosso ponto de vista, procuramos transferir para o outro esse risco. O problema é que o outro é muito parecido conosco e pode querer fazer a mesma coisa. E aí perdemos os dois a oportunidade de descobrirmos que estávamos errados, o que deveria ser encarado não  como uma ameaça, mas como uma benção – afinal, é assim que aprendemos!

Como lidar, então, com mensagens de duplo sentido? Além de nos mantermos atentos às armadilhas desses três fatores – não sabemos o que queremos, temos medo de sermos rejeitados e não queremos assumir a responsabilidade por nossas escolhas -, é importante pedir ao outro ajuda para identificar quando você está usando esse artifício, pois, como vimos, ou você não tem consciência desse jogo ou não tem consciência do que está por trás dele. E, quando você sentir algo estranho no que o outro está dizendo, ajude-o a se manifestar de forma mais clara e objetiva. Uma maneira simples de fazer isso é parafrasear o que o outro disse. Quando você diz de outra forma o que o outro acabou de lhe dizer, você o ajuda a ouvir uma nova versão para algo que pode não estar claro o suficiente para ele mesmo. Se isso funciona tão bem com a publicidade e com as campanhas políticas, que vivem da repetição de modo diferente das mesmas idéias, por que não deveria funcionar com os relacionamentos?

Comentário

You must be logged in to post a comment.