Quem merece ter acesso a nossa intimidade? (versão anti-telemarketing)

domingo, 25 janeiro 2009, 17:41 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Você chega em casa depois de um longo dia de trabalho e está estatelado no sofá acompanhando alguma novela quando seu celular toca. Do outro lado da linha, uma voz desconhecida diz que gostaria de falar um minutinho (sic) com o senhor tal ou com a senhora tal. Você diz ser o senhor tal e a moça começa a ler mecanicamente um script frio e mal escrito, cujo desfecho tem a ver com você comprar alguma coisa. Você tenta interrompê-la várias vezes e, a cada tentativa, a moça tira alguma nova carta da manga procurando contornar suas objeções. Você, então, dispensa sua atitude de gentleman e manda a dita cuja passear.

Aposto que você já passou por uma situação semelhante. Mas, se você tivesse um eficiente computador em sua cabeça, iria associar imediatamente a incômoda moça do telemarketing a um certo formulário de cadastro que você preencheu em algum momento e no qual colocou todo tipo de informação sobre sua vida, incluindo, claro, o número do celular. E aí essa empresa que lhe exigiu o cadastro para que você fizesse algum tipo de negócio com ela, pegou seus dados e os vendeu – vou repetir para dar mais ênfase, os vendeu! – para outra empresa que resolveu utilizá-los para vender o produto de uma terceira empresa.

Em outras palavras, sua intimidade, de repente, já é de conhecimento de três empresas – duas das quais, possivelmente, você nunca teve qualquer contato. E aí eu pergunto: quem deu o direito a qualquer dessas empresas de invadir sua intimidade. A resposta, infelizmente, é a que normalmente não gostamos de ouvir: nós mesmos!

Nós autorizamos que invadam nossa intimidade quando fornecemos informações pessoais sem questionar a real necessidade desse procedimento a quem nos solicita.

Nós entregamos de bandeja nossa intimidade quando não exigimos a quem colhe nossos dados que se comprometa com o sigilo dos mesmos.

Nós não resguardamos nossa intimidade quando nos calamos ao vê-la vilipendiada pelas empresas de telemarketing, que entram em nossas casas sem serem convidadas.

Se nós não estamos cuidando de nossa intimidade como deveríamos, como é que podemos exigir isso dos outros? Em outras palavras, quem garante que as informações que circulam por elas não acabem caindo na mão dos bandidos e, assim, causando um dano muito maior do que a robôzinha do telemarketing?

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