O que mudou nos namoros hoje em dia (visão de um mero observador)

terça-feira, 10 fevereiro 2009, 17:09 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

“Na minha época” é o tipo de expressão que esconde um certo ar de arrogância e superioridade. “Na minha época, não tinha essa pouca vergonha das mulheres se exibirem nas praias”, dizia dona Anita, minha bisavó italiana, que havia nascido na década de 80… do século XIX! “Na minha época, para namorar um rapaz, era preciso, antes, o pai autorizar”, relembra minha sogra.

Eu também tenho umas frases do tipo “na minha época”. Na minha época, por exemplo, a gente dava, sim, uns beijos nas meninas nas festas, sem qualquer intenção de engatar qualquer relacionamento sério, só que, para conseguir essa proeza, era preciso dar um duro danado. E beijar mais de uma menina numa mesma festa? Esquece, essa hipótese nem sequer era cogitada, mesmo porque quem ousasse fazer isso iria, imediatamente, ganhar a fama de galinha. Havia, sim, certas ocasiões em que a gente chegava a pedir a menina em namoro, mas isso só acontecia com as mais certinhas, aquelas garotas que não ficavam com a gente de jeito nenhum, sem antes oficializar a relação. Na maioria das vezes, o namoro simplesmente acontecia, rolava e pronto.

E hoje a palavra rolo é utilizada para definir um relacionamento que ainda não é sério o suficiente para ser considerado namoro. Foi isso o que ouvi de uma amiga, que estava de rolo com um sujeito há quase três meses. Esse tipo de relação aberta era algo muito raro de acontecer na minha época – claro, isso se você não fosse da geração hippie do amor livre, o que, definitiva e infelizmente, diga-se de passagem, não era o meu caso. Porque se a gente ficava uma segunda vez com a mesma menina, era praticamente subentendido que estávamos namorando. Não é que não quiséssemos esse tipo de relação, mas era quase impossível enrolar uma menina por tanto tempo. Talvez seja por isso que as pessoas chamem a relação de rolo – mas… quem normalmente enrola quem? É o homem que enrola a mulher ou o contrário? Posso estar enganado, mas hoje em dia, vejo mais mulheres optando pelo rolo do que homens. Quando perguntei a essa mesma amiga por que é que eles não partiam de vez para o namoro, ela me respondeu apenas que ainda não tem certeza se quer um relacionamento mais sério com o rapaz. Confesso que quando eu partia para qualquer namoro, não passava pela cabeça que eu já estava dentro de um relacionamento mais sério. Sério para nós era um negócio chamado noivado, onde só entrava quem, definitivamente, já havia escolhido se casar. Até lá, o namoro era um compromisso quem um fazia de ficar com o outro, e nada mais do que isso.

Curiosamente, observo também um quadro totalmente oposto ao vivido por minha amiga, com pessoas muito jovens, alguns até adolescentes, exibindo alianças de prata na mão direita, no mesmo dedo onde, normalmente, se coloca a aliança de noivado. E os casaizinhos explicam que é “aliança de compromisso”, como se mostrassem para o mundo que, definitivamente, não estão abertos a outros relacionamentos.

No fundo, acho que estou me preparando para viver algo parecido com meu filho. Embora ele tenha apenas 11 anos de idade, está na terceira namorada, sua página no Orkut é cheia de declarações de amor eterno e, quando viajamos de férias, nunca deixa de procurar um presente para a menina. Se continuar desse jeito, não demora muito e estará também andando com uma aliança no dedo, comprada, claro, com a mesada que eu lhe dou, o que me coloca na desconfortável posição de cúmplice de um compromisso precoce.

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