Existem inúmeros estudos relacionando stress com impotência sexual. Não bastasse o esgotamento físico, o desgaste mental funciona como um poderoso agente broxante. Resultado: o sexo acaba virando um fardo impossível de se carregar. E depois que a Eva mordeu a maçã e descobriu a libido, que era essa coisa chata e limitada que só servia para reproduzir, o sexo se transformou justamente no antídoto mais eficiente contra os males do mundo. Tá estressado? Vá transar! Não tem remédio melhor.
Além de um exercício de alta queima calórica, o sexo é uma das atividades recreativas mais prazerosas a que um ser humano pode gozar. Primeiro, porque se goza junto – pelo menos, é esta a intenção. O sexo é absolutamente democrático – pode ser praticado por pessoas de qualquer classe social. E é relaxante que só ele, reforçando suas propriedades altamente curativas. Afinal, para quase todas as doenças, além de remédio, sempre se recomenda repouso, que é o destino de todo sexo feito de maneira plena.
Só que, para o sexo agir, é preciso abrir espaço para ele entrar, se acomodar e disparar os tiros certos para você ficar em ponto de bala, prontinho para ele. E isso só pode ser feito se você não estiver com a cabeça cheia de preocupações. Pode até parecer, sobretudo na visão masculina, que sexo é só uma coisa de pele, mas, na verdade, ele sempre começa no mesmo lugar, na cabeça. Se ela já estiver ocupada com outras coisas, não vai rolar faísca e, sem faísca, não tem explosão e, sem explosão, você diz que está com enxaqueca, vira bunda para ela e tenta dormir!
Ah! Mas, a essa altura, você já deve estar puto da vida comigo porque não faz a menor idéia de como se livrar desse caminhão de preocupações quando o assunto do momento, de todas as rodas e de toda a imprensa é um só: essa maldita crise, acompanhada segundo a segundo por meio de indicadores naturalmente broxantes, como perda de emprego, queda do PIB, ampliação do déficit comercial, desaquecimento da economia e desconfiança geral e irrestrita.
A má notícia é que realmente você não tem muito como interferir nesses acontecimentos – no máximo, pode fazer um esforço e resistir a espalhar notícias ruins.
E a boa notícia é que sexo é animal por natureza. Se você baixar um pouco a guarda, ele toma conta de você e trata logo de mandar à merda todo o entulho que está pesando em sua cabeça. Porque enquanto toda crise que não podemos controlar é um problema para resolver amanhã e atua, portanto, no terreno da ansiedade – daí o efeito broxante! -, o sexo só existe mesmo no presente e, assim, vive sob o comando de instintos mais básicos, os mesmos instintos que nos fizeram sobreviver às bestas-feras que invadiam nossas cavernas e nos trouxeram sãos e fortes até a porra dessa crise – aliás, perto dos leões famintos que enfrentamos armados apenas de algumas pedras, podem falar o que for, mas essa crise é café pequeno. Pode até afugentar os meninos, mas tem poder suficiente para subjugar os homens.