Por que os homens não gostam de discutir a relação?

domingo, 29 março 2009, 19:20 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Domingão nublado em São Paulo, já próximo à hora do almoço, dia de jogo da seleção brasileira de futebol ou seja, dia, compreensivelmente, tenso. Ela me aparece com a frase: “depois do almoço, vamos organizar os documentos e conversar. Tenho uma longa pauta já preparada…”

Ela já havia me ameaçado com essa história de “conversa séria” – com aspas dela – alguns dias atrás, mas não levei a coisa a sério. E agora vinha a confirmação: era mesmo sério! E aí lá fui eu, repentinamente, arremessado em direção a uma situação de pressão, tendo que me conter na ansiedade de saber que, raios, é essa “conversa séria” – minhas aspas.

Será que era para rediscutir velhos fantasmas do passado, feridas eternamente abertas, coisas que não iam bem e, você, um idiota completo, não fazia a menor idéia do que fosse?

Ou seria para conversar sobre o término das aulas de equitação de um filho?

Nestes momentos, um homem pode morrer. A ansiedade mata mais do que o câncer. E ela ainda arbitra o horário – horas entre o anúncio e sua concretização! É realmente de matar…

E os homens, já suficientemente preocupados com a ausência de Kaká, ainda se recuperando de uma contusão, não sabem o que fazer: se morrem ou matam!

Nós, os covardes, os frageizinhos filhinhos da mamãe, incapazes de sustentar o olhar penetrante de uma mulher! Resultado: não temos escolha, não podemos fugir. E, como franguinhos conformados com o breve abate, rumamos cabisbaixos para o sacrifício.

Para, que, afinal, uma “CONVERSA SÉRIA” (a caixa alta é por minha conta)?

Para falar sobre os detalhes de nossa viagem a Machu Pichu ou sobre a reunião de maioria feminina, a que compareci às 8h da madrugada, em pleno sábado, sobre a excursão de outro filho a Parati?

Quando ameacei bater o pé, recebi um “pode ficar tranqüilo. É só uma reunião para conversamos sobre nosso planejamento”. Eu pensei: “nossa, reunião de planejamento no domingo após o almoço? Devo estar tendo um pesadelo.”

E ainda nos perguntam por que não gostamos de discutir a relação… Vocês, mulheres, a fazem profunda demais, pesada demais, fria demais. Para nós, homens, discutir a relação é como um espirro: às vezes, é preciso colocar algo para fora, e nada mais do que isso. Atchim! Saúde! Passou! Simples assim. Rápido assim.

A profundidade está na soma de cada dia. Está no caminho e não em um ponto estático. Profundidade é movimento. A gente se joga nela e, depois que se a atravessa, mergulhamos de novo na simplicidade, no arroz com feijão de cada dia. Todo mundo precisa de um pouco de rotina, para ruminar suas idéias, relaxar suas tensões e se preparar de novo para se jogar nas correntes da incerteza.

P.S.: E para quem quiser saber como me livrei da conversa séria de domingo à tarde, convidei-a para almoçar em um lugar legal e esperei pelo momento certo. Depois de devidamente satisfeitos e amolecidos por uma perfeita batida de maracujá, fui direto ao ponto: “Acho que não há mais clima para passarmos nossa tarde em reunião de planejamento, você não acha?

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