É bom ou ruim ser comparado a um animal? Na cama, tudo o que um homem quer é uma mulher fogosa, uma fêmea, que chupe, morda, belisque, esperneie, grite, se descontrola. E as mulheres, querem o que?
Faço-me essa pergunta desde que me conheço por homem e, quanto mais conheço as mulheres, menos chego perto de uma resposta que me convença.
As mulheres querem carinho, é o que costumo escutar de muitas mulheres – as mesmas mulheres que reclamam que falta fogo, paixão em seus relacionamentos. Mas… não é carinho que elas querem? Porque paixão é alto totalmente irracional, selvagem, é… animal!
No texto criticado pela leitora, escrevi: “Como um imã, mulheres que nunca vimos na vida, mas que possuem certos atributos mágicos, nos levam a uma espécie de olhar perseguidor. Nesses momentos, nos sentimos absolutamente hipnotizados e, mesmo que nossa mulher seja a Angelina Jolie, nosso pescoço e, às vezes, o corpo todo irá torcer para acompanhar aquela outra fêmea passando por nosso campo visual.” Isso é, de fato, um comportamento bem animal.
E continuo: “O que estamos olhando? Pode ser, sim, uma bunda. Para quem ainda não sacou, homens são loucos por uma bela bunda…” Não resta a menor dúvida: comportamento puramente animal!
E aí eu pergunto: qual é o problema de assumirmos nosso lado animal? Será que é melhor nos fingirmos de delicados cavalheiros quando, na verdade, por dentro nos remoemos como cães vadios?
Fazer sexo como os animais não significa sair por aí transando com qualquer uma. Pode não parecer, mas nem todos os homens são escravos de seus hormônios. Eu diria até que, nos tempos atuais, tem muita mulher agindo exatamente como o homem primata – “carinhoso” nome que dou aos primitivos caçadores de nossa espécie ainda em atividade. Elas vão à caça e abatem sua presa sem a menor cerimônia ou pudor. Puro instinto animal. E aí pergunto de novo: qual é o problema desse tipo de comportamento?
O problema, talvez, seja a dificuldade que certas mulheres têm em reconhecer seu próprio lado animal, seu lado selvagem, instintivo, sem controle. O fato de se ignorar esse lado, no entanto, não o elimina. Pelo contrário, pode acabar criando uma deformação, a exemplo de muitas das personagens de Nelson Rodrigues que, impossibilitadas de exercer naturalmente sua libido, transformam-se em ninfomaníacas eternamente insatisfeitas.
E aí para fechar mais este capítulo sobre os mistérios do desejo feminino, recorro exatamente ao texto que usei para concluir o artigo que incomodou a leitora: “Uma definição de mal que gosto bastante é que mal é apenas o que está oculto, é aquilo que age na escuridão, longe da luz da consciência…“