Escrito por Robin McKie
A SRY explica muita coisa. Mas como um pedaço tão pequeno de material genético pode ter conseqüências tão profundas para um ser humano? A resposta, diz o geneticista Steve Jones, do University College London, é simples. SRY é uma alavanca que direciona os genes para um caminho específico. É como os sinais ferroviários perto de uma grande estação: com uma pequena mudança, a SRY manda o expresso sexual para uma direção e não à outra.
Aliás, a SRY é só uma parte do cromossomo Y, uma das 46 principais seqüências de DNA que estão dentro de nossas células e que determinam os nossos atributos físicos. Um par desses cromossomos determina o nosso sexo: uma mulher tem dois cromossomos X, um homem tem um X e um Y, o segundo sendo herança de seu pai.
Enquanto o X é um pedaço robusto de DNA, o Y é pequeno e existe primariamente para carregar a SRY. O gene entra em ação quatro semanas depois da concepção e, para o resto de sua vida, direciona o seu corpo para um objetivo crucial, que é de prevenir a volta para seu estado sexual natural – de ser mulher. Isso soa fantástico. No entanto, fica claro, segundo os cientistas, que a masculinidade é uma aberração biológica.
Somente a constante imersão nos químicos, cuja produção é controlada pela SRY, previne que o corpo de um homem retome a feminilidade natural de nossa espécie. Depois de um quarto da gravidez, uma maré de testosterona cobre o feto masculino. Dali em diante, ele é imerso em um banho de masculinidade para evitar que não “escorregue” – como diz Jones – para o estado feminino.
A SRY não é exclusiva dos homens. Os cangurus a têm, os ornitorrincos a têm, até as toupeiras a têm. Todos possuem essa característica distintiva que assegurou que centenas de milhares de espécies evoluíssem na Terra durante os 3 bilhões de anos anteriores, com estoques suficientes de machos.
* Robin McKie é editor de ciência do The Observer, autor de The Book of Man, em parceria com Walter Bodmer