Mulheres que miam (visão masculina sobre o fetiche e o pesadelo)

sábado, 08 agosto 2009, 22:00 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Difícil para um quarentão falar das mulheres que miam – primeiro, porque a primeira imagem que surgiu quando parei para pensar no tema, foi a Mulher-Gato, a sensual inimiga do Batman. Aquilo, sim, é que era miado e, olha que, na época em que eu curtia as aventuras do morcegão em sua fase seriado-trash-de-televisão, ainda nem fazia idéia de que existia um negócio chamado sadomasoquismo… E, assim que consigo superar a imagem curvilínea da personagem, o que aparece? A da mulher que faz manha e capricha no choro para conseguir o que quer. É de arrepiar…
Se há alguma coisa que consegue irritar um homem – e, claro, há muitas! – é o choro visivelmente dissimulado de uma mulher. Como saber se é mesmo dissimulado? Esse é justamente o problema. Tem gente que atua na vida real melhor do que muito ator profissional. Mas o que caracteriza o choro manhoso é justamente sua intenção. Ele aparece não como expressão natural de um sentimento – dor, raiva, alegria etc – mas para provocar deliberadamente uma reação em você – reação de pena ou, mais comumente, de culpa.“Ah! Você me magoou? Então toma! Buááááááááá.”

Imagino que, agora, já deva ter um monte de mulheres enraivecidas comigo, tecendo seus planos de como me punir… Antes, no entanto, que vocês percam seu tempo precioso, é claro que “mulheres que miam” é só uma metáfora para falar sobre qualquer pessoa que usa esse tipo de artifício para se vingar dos outros. Usar a mulher como representante, infelizmente, vem do estereótipo da mulher frágil e dependente que, nos dias de hoje, graças a Deus, já é um fenômeno muito mais isolado do que era no tempo de nossos avós. Mas se você, querida leitora, se incomodou com o texto, é porque talvez tenha se identificado com a metáfora… Fique esperta, porque nós, homens, não somos muito chegados nesse tipo de abordagem.

Mesmo que as “mulheres que miam” acreditem que atingiram o seu objetivo, ou seja, de fazer o outro se sentir culpado por algo que tenha dito ou feito, tudo o que elas realmente conseguem quando se colocam no papel da vítima é serem diminuídas. Infantilizadas, tornam sua relação com o outro desequilibrada: de um lado, uma criança ferida e manhosa e, de outro, um adulto a quem essa deseja punir. Portanto, apesar da conquista do resultado imediato, a longo prazo uma relação baseada nesse tipo de troca tende a se auto-destruir. Ninguém quer ficar casado com uma criança, assim como ninguém quer estar com alguém que lhe faz permanentemente se sentir culpado. E aí vai uma dica – meio fora de contexto, é verdade – para a relação subordinado-chefe. Quem usa a tática das “mulheres que miam” com seu chefe estabelece uma relação do tipo “opressor-oprimido”. O chefe em questão até pode ser realmente meio cruel, mas fazê-lo se sentir um ditador desalmado, definitivamente, não é a melhor maneira de ajudá-lo a mudar de atitude. Se ele soltar os cachorros para cima de você, não reaja de imediato. Espere até que ele se acalme e, aí sim, troque uma idéia sobre a forma como você gostaria de – e merece – ser tratada. Uma amiga me contou que passou por uma situação dessas outro dia – uma situação até então inédita para ela -, mas a tática de esperar o momento certo para uma conversa foi certeira. O sujeito enfiou o rabo entre as pernas e, certamente, vai pensar duas vezes antes de partir para o ataque da próxima vez.

Queridas “mulheres que miam”, sejam, portanto, menos chorosas e mais gatas. Assim, não lhes faltarão um merecido colinho de vez em quando, pois nenhum homem recusa os chamados de um ronronar emitido por uma mulher de verdade. E eu acho que vou correndo à locadora para ver se encontro algum vídeo antigo do Batman…

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