Como conviver com pessoas à beira de um ataque de nervos?

segunda-feira, 31 agosto 2009, 00:35 | | 6 comentários
Postado por Fábio Betti 

Só de pensar em ter de lidar com gente histérica, do tipo permanentemente tenso, que parece sem qualquer controle, não consegue ouvir a ninguém a não ser a si mesmo, já sinto meu corpo ser banhado pela adrenalina. O coração dispara e, como William Foster, o antológico personagem de Michael Douglas em “Um Dia de Fúria”, sou acometido por uma vontade louca de eliminar um a um… Êpa! Peraí, quem era mesmo o histérico nessa história?

“Quem com ferro fere, com ferro será ferido.” “Olho por olho, dente por dente”. Estes são alguns dos ditados que a gente ouve – às vezes, também fala – como forma de validar situações onde se escolhe lidar com uma determinada situação fazendo uso do mesmo remédio, ou melhor, da mesma arma que o outro utilizou contra a gente. Nem é preciso ir muito fundo para mostrar que a tática costuma ser estúpida e ineficiente, saciando meramente – ou nem isso – muito mais um desejo de vingança do que de solução para o impasse.

É assim que as guerras começam e se agravam. Alguém xinga alguém. A vítima revida com outro xingamento. O primeiro dá um soco. O outro devolve. Daí para um tiro, uma bomba, é um passinho à toa. A diferença entre criminosos e vítimas fica só na questão de “quem começou?”, porque, no desenrolar da história, os dois lados já estão agindo exatamente da mesma forma… burra!

A fórmula parafraseada é: para lidar com gente histérica, aja histericamente! É claro que devolver na mesma moeda só vai trazer mais prejuízo para essa relação. Ah! Mas você não quer ter qualquer relação com uma determinada pessoa que costuma lhe importunar com seus ataques? Sem problemas, simplesmente ignore-a. Deixe-a falando – ou gritando – sozinha. Sem platéia, o show perde a graça.

Mas se, apesar do showzinho desagradável, você ainda quiser ter uma relação com essa pessoa, fingir que ela não existe também não parece ser o melhor caminho para lidar com a situação. Ninguém gosta de se sentir tenso e sem o mínimo controle sobre suas reações. Imagine, então, alguém que, de alguma forma, viva a maior parte do tempo nesse estado. Aposto que você conhece alguém assim. Mesmo que, nessas crises de nervos, ela parta com tudo para cima de você, evitá-la ou ignorá-la pode contribuir para que ela se sinta ainda pior. É como se, quando ela joga agressões na sua cara, ela estivesse dizendo: “estou aterrorizada com essa situação, não sei como lidar com tudo isso e, portanto, preciso de ajuda”. O problema é que ela está tão descontrolada, tão fora do seu eixo, como costuma-se dizer, que exigir que ela seja racional ou objetiva é como esperar que uma criança leia um livro sem que esteja alfabetizada.

É preciso,portanto, ajudá-la a sair desse estado de delírio em direção a um estado de consciência. Diga a ela que você a está ouvindo, que ela pode falar o quanto quiser, mas que não precisa falar tão alto, pois vocês estão próximos um do outro, você está prestando atenção no que ela está tentando dizer ou, simplesmente, autorizando o seu desabafo. Deixe que ela leve o tempo que precisar, ofereça uma água, coloque-se disponível para ela – emocionalmente, disponível. Muitas vezes, as pessoas precisam apenas de alguém para ouvi-las e, mesmo que elas queiram saber sua opinião sobre algo que elas digam, no fundo, elas só querem, de fato, ouvir a própria voz e se saber amadas e aceitas por outras pessoas.

Esse processo pode levar tempo e ter que ser repetido muitas vezes, mas quem disse que é possível formar, estreitar e sustentar vínculos sem que se dedique tempo a eles?

6 comentários para “Como conviver com pessoas à beira de um ataque de nervos?”

  • Anonymous disse:

    Me vejo de certa forma em um circulo, como a descrita acima…
    o problema é que, pessoas burras existem e apesar de serem adestradas ainda assim não passam de pessoas burras…sei que desviei do foco do texto acima mas é que não aguento mais também gente assim… popularmente”vermes que só fazem peso na terra!” resumindo posso está meio que louco, mas paras estes só a morte mesmo da jeito, o jeito deles com G kkk

  • Rita disse:

    Precisamos sempre ter muita paciencia. Muita serenidade e sabedoria para tentarmos compreender as outras pessoas.

  • JCG disse:

    Sou histérica e digo que sofro por isso há anos.
    Não é fácil sentir o desprezo das pessoas, não ter amigos, ser ignorada e sentir dores reais que não têm causa. Quando se ala em matar pessoas como ‘eu’ poderia se pôr meu lugar, pois não é voluntário. `Por tal tentei suicídio, tenho depressão crônica e vivo enclausurada em minha casa, NÂO julguem sem terem vivido o que um histério vive!

  • Fabio Betti disse:

    Prezada JCG, antes de mais nada, quero lhe pedir desculpas pelo fato de algumas palavras e expressões que usei de forma genérica terem lhe ferido como lhe feriu. Não me referia à doença – histeria – mas ao comportamento que, algumas vezes, apresentamos diante de situações-limite. Espero que você fique bem e possa ter acesso a algum tipo de tratamento que lhe devolva a possibilidade de um convívio social mais harmônico e equilibrado. Um abraço

  • Mariza disse:

    Convivo com uma pessoa que apresenta boa parte das características dos histéricos, egocêntrica, dramática ao extremo, somatizando tudo o que não consegue trabalhar, pensa de forma superficial e distorce a verdade e fatos para se justificar. Não tenho como abandonar este ser no meio do caminho, (e vontade não falta!) e agora com sua entrada na terceira idade, 73 anos, sei que estas características tendem a se acentuar. Busco escutar e acompanhar suas demandas considerando todos estes limitadores. Porém, entendo que o melhor seria ela realizar uma terapia que a ajude a conscientizar-se de seu estado, mas ela não se submete, porque não está doente e não necessita tratar-se. O que mais pode ser feito para melhorar este convívio?

  • Ab disse:

    Estas pessoas são realmente um problema sério acabam com um grupo são extremamente maldosas e prejudicam quem as cerca difícil é ter que suportar estes indivíduos. Desculpe vejo dessa forma,

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