Quando a garota – ou o garoto – tem um comportamento infantil, do tipo que emburra por quase nada, chora sob pressão, bate o pé quando quer algo, o que fazer?

sábado, 05 setembro 2009, 15:03 | | 1 comentário
Postado por Fábio Betti 

Pensei um bocado em como abordar esse tema sugerido pela Sandra. Minha primeira reação foi: como é que um adulto pode ser feliz se relacionando com alguém que age como se fosse um bebê? Aí, pensei: Fábio, sem julgamentos! O resultado desse diálogo interior é um texto estruturado na forma de perguntas. Assim, ao invés de condenar quem aceita um relacionamento dessa natureza ou age de maneira infantil, pelo menos, vale a pena pensar se esse é um caminho que traz ou não felicidade para quem vive algo do gênero e que, no fundo, é a única pessoa realmente capaz de responder a pergunta do título.

Se há alguma coisa que é impossível obrigar uma pessoa a fazer é a reflexão. Não adianta usar de força ou qualquer outro tipo de ameaça. As pessoas refletem quando decidem refletir. É uma decisão pessoal e intransferível. Por isso, antes de apresentar meu roteiro de perguntas, faço um convite a quem esteja vivendo um relacionamento que, de alguma forma, se assemelhe ao exposto no título deste artigo, para parar um pouco e refletir sobre isso. Se quiser, você pode, inclusive, anotar as respostas das perguntas, para tornar sua reflexão ainda mais profunda. Este exercício é uma maneira de você travar um contato mais claro e direto com seus sentimentos e pensamentos .

Quando a pessoa com a qual você está se relacionando age de maneira infantil, como é que você se sente? Com raiva, pena, desprezo ou se mantém indiferente?

Em que momentos ela age dessa maneira? O tempo todo? Muitas vezes? Poucas vezes? Em alguma situação específica?

Qual é sua reação nesses momentos? Você conversa tranquilamente, tentando acamá-la? Você se irrita e se descontrola? Você a ataca ou tenta confortá-la? Você a ridiculariza, apontando quão absurdo é esse comportamento?

Quando você reage ao comportamento infantil dessa pessoa, ela se mostra ainda mais irritada? Fica mais agressiva ou se acalma? Reconhece que não agiu de maneira adequada ou justifica o comportamento como correto?^Sente-se culpada pela atitude infantil ou transfere a culpa dessa reação para você?

Passada a crise, vocês costumam conversar sobre isso? Se não conversam, qual você acha que é o motivo? Se conversam, fazem isso de maneira amistosa? Nesse momento de calmaria, como é que a pessoa recebe suas críticas? Que justificativas ela dá para o que aconteceu?

Quando essa pessoa não está agindo de maneira infantil, o que mais lhe chama a atenção nela? O que você mais admira nela?

Com essas perguntas, talvez você tenha conseguido enxergar melhor a pessoa com a qual você se relaciona e seus sentimentos e julgamentos em relação a ela.

Se você anotou as respostas, agora é um bom momento para relê-las. Se não anotou, relembre mentalmente as respostas que mais lhe mobilizaram – normalmente, são aquelas que causam algum tipo de incômodo na gente, como um peso no estômago, uma taquicardia ou dificuldade de engolir.

E aí se faça uma última pergunta: O que é eu quero sustentar quando me relaciono com alguém que não age de uma maneira adulta? Em outras palavras, o que eu ganho com esse relacionamento que eu não quero abrir mão, mesmo sabendo que a pessoa não age da forma como eu gostaria? Afinal, ninguém se mantém em um relacionamento, qualquer que seja ele, se não houver algum ganho nisso. Por esse motivo, de vez em quando, é bom colocar os prós e contras na balança para poder avaliar se estamos num relacionamento porque os ganhos são maiores que as perdas ou se, simplesmente, nos acostumamos – nos acomodamos – a ele.

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