O quanto você é marionete e o quanto é dono de seu próprio nariz?

sábado, 07 novembro 2009, 23:53 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Todas as vezes que vou ao supermercado e volto com produtos da marca x ou y, percebo o quanto sou manipulado por forças que estão além de meu controle. Mas… será que o efeito marionete se limita apenas à propaganda?

O que eu como, o jeito em que me visto, a maneira como me comporto, os programas de TV e os filmes que eu assisto, os livros que leio, minhas opiniões e posições políticas e ideológicas, tudo o que faço parece sofrer algum tipo de influência externa.

Outro dia, um amigo sugeriu que eu pensasse seriamente sobre deixar o brinco de lado quando estivesse atuando como consultor. O fato de se tratar de um amigo que gosto muito suavizou um pouco minha reação, mas, no fundo, acabei me sentindo ofendido. Uso brinco desde os 18 anos e nunca tive qualquer problema com isso. Será mesmo que posso sofrer algum tipo de boicote do mercado por um reles brinco? Fiquei tão incomodado com isso, que tratei logo de fazer uma rápida pesquisa informal com várias pessoas de meu círculo pessoal. Para comprovar, mais uma vez, a força do meio sobre mim, fiquei aliviado quando ninguém concordou com o meu amigo.

Um episódio como esse me põe para pensar sobre as concessões que faço sem me dar conta. De repente, trago tudo isso para a consciência e me espanto com a quantidade de vezes em que me vejo obrigado a não ser eu para me enquadrar em algum comportamento, digamos politicamente correto. O chefe bonzinho, o marido compreensível, o pai sempre disponível, o filho exemplar, o cidadão consciente, o amigo de todos, o sujeito sempre de bem com a vida. Estes são alguns dos papéis que performo, para usar um termo da moda. Sinto que, em algumas situações, eles realmente representam meu estado interior, mas, em muitas outras vezes, estou só representando um papel, numa espécie de barganha, onde, em troca, recebo aprovação e reconhecimento.

Esse processo de agir a partir do mundo externo é tão natural e automático, que chego a estranhar quando meu eu interior reclama nos momentos em que essa opressão se torna insuportável. Esse aviso costuma aparecer na forma de um mal estar físico, como, por exemplo, uma taquicardia ou uma pressão no estômago, mas também se mostra por meio de problemas mais ligados ao emocional, como desânimo, desesperança, solidão e medo.

Nessas horas, sinto que quem quer que me manipula parece tão poderoso, mas tão poderoso, que me deixo entregar como uma marionete sem vida. E, quando o meio externo me domina, é realmente assim que me sinto: sem vida, sem vontade própria, sem energia para me mover por minhas próprias pernas.

A única forma de sair dessa inércia é recebendo um cutucão forte, um beliscão que me tire do pesadelo, mesmo que ele venha por meio de uma crítica estapafúrdia feita por um amigo querido.

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