No creo en almas gemelas, pero que las hay, las hay

terça-feira, 09 fevereiro 2010, 00:00 | | Nenhum comentário
Postado por Fábio Betti 

Acredito tanto em almas gêmeas quanto em bruxas. Nunca vi uma bruxa, mas já vi muita coisa esquisita, que poderia bem ser chamada de bruxaria. E já vivi tantos encontros inexplicáveis, que só pode ser obra desse negócio de alma gêmea.

O termo alma gêmea geralmente é usado para designar o conceito de que em algum lugar no planeta há uma alma destinada a permanecer ao seu lado. Ele pressupõe que você acredita na possibilidade de que seu espírito encarne várias vezes, pois alma gêmea é também a pessoa com a qual você se relacionou em várias vidas e acabou desenvolvendo laços cada vez mais fortes.

Bem que tento, mas não há Cristo que me faça acreditar que existe uma outra pessoa predestinada a ficar comigo pela eternidade. Além de parecer uma idéia romântica demais, não consigo imaginar que, sendo verdade a teoria das encarnações como processo de aprendizagem e evolução espiritual, eu só tenha uma única alma gêmea. Isso parece algo um tanto quanto egoísta, diria até preconceituoso, uma tentativa de perpetuar o conceito monogâmico que aprisiona os relacionamentos em uma vida, extendendo-o para todas as vidas de um espírito – e, pelo que dizem os pensadores e praticantes do espiritismo, podemos encarnar por muitas e muitas vezes.

Eu mesmo, nesta vida, que é a única que conheço, pois não me recordo em nada de qualquer outra vida que teria vivivo antes desta, sinto que já tive vários encontros que poderiam ser nomeados, tranquilamente, de encontros de almas gêmeas. Alguns têm se perpetuado por muitos e muitos anos. Outros foram curtos, fugazes, mas nem por isso menos profundos. Almas gêmeas femininas, com as quais vivi amores devastadores ou amizades inexplicavelmente íntimas. Almas gêmeas masculinas, irmãos espirituais com os quais tive ou ainda tenho uma comunhão tão perfeita que também não sei como explicar em palavras.

O que há de comum em todos esses encontros é justamente isso: o inexplicável. Se essas pessoas são ou não minhas almas gêmeas, eu não sei. Mas sei que, quando estou com elas, o diálogo flui na confiança mútua. Preocupamo-nos uns com os outros, muitas vezes chegamos até a sentir o que o outro sente, dor e tristeza, prazer e alegria. Se isso não é alma gêmea, não sei o que seja. E uma vez que não saiba, sinto-me aliviado. Assim, posso usufruir desses encontros mágicos sem precisar nomeá-los. Posso facilmente viver ignorante no fluir dessas relações de corpo presente, inteiro, sem nenhuma parte ausente presa ao sonho com uma alma gêmea que me espera sei lá eu onde.

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