Essa imagem do homem tímido, escondido em sem canto, evoca em mim imagens muito mais remotas do que o menino tímido com dificuldades de se relacionar com as meninas. Os registros de meu DNA me levam ao encontro, de um lado, do guerreiro, do conquistador, do imperador destemido e, de outro, do homem pacífico, do músico, do poeta, do filósofo. Nesse mundo masculino tão singularmente estruturado, o espaço ocupado pela mulher era, em qualquer caso, inferior, posto que, nessa época em que me encontro, a mulher já havia sido destituída de seu posto de deusa para se transformar na mulher pura e indefesa, que precisava ser protegida, ou, quando se reconheciam seus poderes, na bruxa malvada que merecia perseguição e punição.
Quando me observo no meio dos homens de hoje, sinto que esse mito que divide homens e mulheres tão grosseiramente ainda está sutilmente presente, ocultado por preconceitos e atitudes separatistas. O que vejo são conquistadores reclamões, acuados frente a mulheres que tomam a iniciativa – “agem como homens”, dizem eles. Já o tímido, de repente, pode tirar proveito dessa recente inversão de papéis e cair nas graças dessa mulher conquistadora, que o vê como presa fácil e especialmente atraente, na medida em que não lhe representa qualquer concorrência ou ameaça.
No entanto, vejo que tanto o tímido quanto o conquistador estão, pela primeira vez, na mesma posição, encolhidos em um canto, acuados, amedrontados pela imagem dessa mulher que não tem pudor em devorá-los e que exige ser satisfeita sob a ameaça de expor suas fragilidades publicamente. Observo esse comportamento nos inúmeros relatos sobre problemas de disfunção erétil neste mesmo blog. No entanto, enquanto os homens continuam a repetir o velho mantra “isso nunca aconteceu comigo antes”, as mulheres não engolem mais sapos, reprimindo seus desejos insatisfeitos; pelo contrário, vão, muitas vezes, até literalmente, à luta, e querem saber o que fazer para terem a potência de seus machos de volta.
Como macho que sou, junto-me em coro ao grupo dos acuados, escondidos em seu canto, e grito com toda a força de meus pulmões que, sim, nós também queremos nossa histórica macheza de volta. E não falo aqui do macho que bate ou estupra, do macho que não está nem aí para os interesses e desejos femininos e considera a mulher um ser de segunda classe. Falo do macho como gênero, desse ser cuja natureza é tanto o cortejo da fêmea quanto as qualidades físicas normalmente mais desenvolvidas, que o tornam um eficiente protetor em seu núcleo familiar ou comunidade.
Sejamos contumazes conquistadores ou garotos tímidos, deixem-nos tomar a iniciativa de vez em quando, deixem que nos sintamos cortejadores e protetores novamente, deixem espaço para que nossa natureza de macho possa aflorar nesse mundo atualmente tão feminino e feminista. Aposto que nossa macheza biológica recuperada nessa época de uma nova consciência humana será um convite natural à valorização da feminilidade da mulher, que poderá, finalmente, satisfazer seus instintos mais autênticos sem precisar, para isso, se transformar na famigerada bruxa malvada ou na insossa donzela indefesa.
Tímidos e amedrontados
segunda-feira, 19 julho 2010, 11:38 | | 1 comentárioPostado por Fábio Betti
Quem me vê socialmente extrovertido, talvez não acredite na minha timidez, no quanto é difícil para mim ter uma iniciativa de começar um relacionamento; não digo que a culpa seja da mulher, mas a que ponto chegou sua independência e igualdade na hora da conquista, não que isso seja de todo mal, mas complica a situação.