O poder das palavras

segunda-feira, 09 agosto 2010, 01:47 | | 2 comentários
Postado por Fábio Betti 

Não importa se você acredita que alguma coisa acontecerá de um jeito ou de outro, você estará certo. Esse intrigante raciocínio era uma das mensagens do best-seller “O Segredo”, livro de auto-ajuda que vendeu seis milhões de exemplares em apenas um ano, defendendo justamente que tudo que nos acontece é ditado por uma tal “Lei da Atração”. Passados alguns anos, essa lei me parece tão lógica que corro o risco de me passar por arrogante ou intolerante quando me deparo com alguém que realiza exatamente aquilo que acredita e, mesmo assim, atribui ou, pior, culpa um outro ser pelo resultado.

Quando ouço alguém lamentando não ter sorte na vida ou que as coisas para ele ou ela são assim mesmo, muito difíceis, o que explicaria a penúria, o sofrimento, a dor ou qualquer outro infortúnio vivido pela pessoa em questão, percebo-me repentinamente impaciente, tentado a torcer-lhe o pescoço ou cometer qualquer outro ato que provoque um lampejo que seja de visão sobre o óbvio. As palavras têm poder.

Falar que a vida é difícil não ajuda em absolutamente nada a que ela se torne mais fácil. Pelo contrário, quanto mais vezes a frase é repetida, tanto mais eficaz se torna a profecia. Quando se fica repetindo pelos cantos uma coisa, ela se torna isso mesmo, uma profecia, um poderoso mantra, que acaba guiando a pessoa na direção daquilo que ela não para de repetir. A vida é difícil, a vida é difícil, a vida é difícil… Pronto! Seus problemas acabaram! Eis aí a vida difícil pela qual você tanto implorou. Ah! Mas você não queria essa vida? Então por que é que não parou de falar nela?

As palavras têm poder. Tenho amigas que se dizem sós porque atualmente não há mais bons partidos na praça. Imagino que, a cada vez que elas repetem essa frase, um bom partido desaparece, como se as palavras pudessem desintegrá-lo. E mesmo que elas dessem de cara com um bom partido, ele passaria despercebido, afinal, uma vez que não há mais bons partidos na praça, ele não poderia mesmo existir!

Às vezes, sou incapaz de controlar minha impaciência e dou uma chacoalhada forte na pessoa, na esperança de que um choque inesperado seja capaz de tirá-la desse estado catártico. Na maior parte das vezes, sou taxado de insensível. Em outras, a pessoa acaba entrando em choque, tristeza, depressão e acionando o gatilho da auto-punição e da auto-culpabilização. Acabo eu me sentindo culpado pela falta de tato. No fundo, eu esperava que, ao encarar a farsa, a pessoa se visse livre do auto-engano e, assim, pudesse, finalmente, comemorar com toda a alegria do mundo a consciência recuperada. Que nada! Depois de um tempo, o velho padrão toma conta de novo. E lá vou eu outra vez tentado a dar um novo chacoalhão… A vida é difícil…

2 comentários para “O poder das palavras”

  • gizeli belloli disse:

    Oiê querido! Viu? Eu não esqueci que precisava ler o teu “o poder das palavras”. Li só hoje. Mas li. Adorei. “Te lendo é como se estivesse te vendo”. Igual ao Fábio que eu conheço “falando”! Adorei te ver pelo Blog! Beijo e espero que tudo tenha saído bem hoje(nem sei se o blog serve prá esse tipo de “enviação de carinho”. Depois tu me conta e eu não faço mais.) Gi

  • Fabio Betti Rodrigues Salgado disse:

    Querida Gi, qualquer lugar é o espaço certo para manifestar carinho. Por isso, acolho, aceito e agradeço o seu! beijos

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