Por que não uma mulher na presidência?

domingo, 03 outubro 2010, 17:38 | | 4 comentários
Postado por Fábio Betti 

dilma_marinaDesde a Proclamação da República, 34 homens passaram pelo mais alto cargo do País. E teve de tudo um pouco. Teve presidente que só largou o osso no tiro – Getúlio Vargas, suicidando-se, após um total de 18 anos à frente do cargo. Teve quem morreu antes de poder entrar na lista – Tancredo Neves em 1985. Teve presidente que alegou “forças terríveis” para renunciar – Jânio Quadros, em 1961 – e presidente que saiu à força – João Goulart, em 1964.

Com sua energia masculina, energia de conquista, de foco e determinação, os homens nos trouxeram até onde estamos hoje. Mas o mundo todo precisa de outro tipo de energia para seguir seu curso evolutivo, a energia cuidadora feminina, a energia apaziguadora, a energia criadora da mãe Terra. Além de se fazer justiça com as mulheres, historicamente alijadas do comando da nação, uma presidenta por aqui seria, portanto, muito bem-vinda.

Só que a energia feminina nunca esteve tão longe do Palácio do Alvorada. As duas candidatas que se apresentaram neste ano, cada uma de seu jeito, nem de longe agem como… mulheres. Onde a docilidade, a exuberância, o charme tão característicos do gênero feminino?

Dilma fala e gesticula como um homem, e homem de voz grossa. Os trajes utilizados em campanha, lembrando o uniforme do exército chinês, só reforçavam essa distorção. E Marina, apesar da voz mais doce e do discurso ambiental colaborar para uma abordagem mais feminina, faz o gênero freira assexuada, com seu cabelo sempre preso, pouquíssima maquiagem e roupas que a cobrem do pescoço aos pés,

O que teria acontecido a essas mulheres para terem abandonado sua essência feminina? Será que os anos de luta armada teriam endurecido Dilma? E a infância pobre e o trabalho de doméstica teriam feito o mesmo a Marina?

Mulheres endurecidas acabam agindo como homens: abrutalhadas, conquistadoras, competitivas. Na verdade, são piores que homens, posto que são só meio homens. São piores que homens, pois, ao negar sua essência feminina, abrem mão do que têm de melhor e mais sagrado. Perdem, assim, o que as poderia fazer melhor do que os homens em um momento onde o planeta precisa muito mais da energia feminina do que da energia masculina.

Não sei se Dilma ou Marina apenas maquiam seu lado feminino para conseguir sobreviver nesse mundo de homens. Dilma chegou a ser fotografada com seu netinho num raro momento onde sua energia feminina pôde ser captada. Talvez Marina solte os cabelos e brinque de femme fatale com seu marido de vez em quando. O fato é que, quando se ligam as câmeras, elas guardam sua essência feminina em algum lugar, longe de nossos olhos e corações. É uma pena, mas, pelo visto, infelizmente, ainda não será desta vez.

4 comentários para “Por que não uma mulher na presidência?”

  • Christina Castilho disse:

    É uma pena que esconder a feminilidade seja um recurso culturalmente natural para mulheres que precisam ocupar posições de poder. Quantas vezes não vemos isso no dia a dia das empresas, onde mulheres em cargos de comando precisam “endurecer e perder a ternura” para que consigam ser respeitadas (ou temidas) pela equipe? Não é o ideal, mas é o natural… Fica sempre a angústia e a realidade de não conseguir se fazer respeitar por subordinados se a “chefe” não mostrar firmeza e não titubear… É sentir isso na pele historica e cotidianamente que faz com que as mulheres pensem mil vezes antes de externar sua feminilidade quando estão no comando. Né, não?!

  • Jhaíra disse:

    Fábio querido a “essência feminina’ que você cita vem de uma imagem historicamente construída. E o país não será melhor quando uma mulher assumir a presidência, mesmo que ela seja doce e protetora como nossas mães. Vivemos numa sociedade patriarcal, e homens e mulheres, em sua grande maioria, pensam e agem a partir de valores patriarcais. Talvez isso explique a dureza delas e a sua visão do que seja “essencialmente feminino”. Valores herdados.

  • Jairo disse:

    E desde quando a suposta essência feminina se traduz por docilidade, cuidado, delicadeza “charme”? Isso é um clichê típico de sociedades patriarcais, machistas, conservadoras. A mulher do futuro usará o cabelo como quiser, não se sentirá obrigada a usar tailleur cor-de-rosa ou a apresentar um comportamento maternal, protetor, em concordância com um ideal estereotipado de feminilidade ultrapassada. A mulher pode e deve mostrar seu lado forte, competitivo, assertivo. Pode e deve usar cabelo curto, falar firme, preocupar-se menos com adereços e trejeitos de fragilidade. Meigas eram as nossas vovozinhas, coitadas… uns capachinhos feitos sob medida para a “apreciação” dos machos de plantão. Deixem essas mulheres serem PESSOAS, não meras fêmeas de saiote e madeixas soltas ao vento. A feminilidade como estamos acostumados a ver é uma forçação de barra. Bom será o dia em que os homens também puderem se enfeitar e as mulheres puderem abrir mão da ditadura da maquiagem. Viva o mundo livre!!

  • Fábio Betti disse:

    Jairo, muito obrigado pela saudável pimenta que você trouxe à discussão. Vamos ver se outros homens e mulheres aceitam o convite e também trazem sua visão a respeito desse tema. E você seja sempre muito bem vindo aqui.

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